Isto não devia estar aqui

Talvez apague este artigo. 
Talvez não.
Talvez guarde para sempre o que devia ter sido dito. 
E nunca foi possível dizer. 
Mas ambos sabemos. 
Porque as palavras não valem nada.
Quando se trata de amor verdadeiro.

Talvez não o devesse dizer agora.
Talvez ele até chegue a ler isto.
Mas nada mudará.
Ficará o mesmo silêncio. 
Porque eu sei que o amor não tem voz. 
Ele simplesmente existe. 
Ambos sabemos que existe. 

E passaram 20 anos. Vinte anos! 
E se eu pudesse...

☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆ 

Se eu pudesse voltar atrás 20 anos... Diria àquela menina que iria conhecer a sua pessoa. 
Pediria que não o largasse. 
Que não procurasse crescer e ver outras coisas. 
Porque de certeza que poderia fazer tudo com ele. 

Porque tu foste educada a ter valores tão teus e tão sérios com base na tua experiência. 
Porque mesmo naquela altura... já sabias que nunca irias magoar ninguém de propósito. Sabias que podias amar incondicionalmente sem magoar, sem trair, sem esconder. 

Porque na verdade nunca magoaste de propósito.
Nunca traíste.
Nunca escondeste. 
Mesmo quando doía falavas sempre. Mas sempre a verdade. 

Então... apesar de teres passado por tudo o que passaste nestes últimos 20 anos... podias ter feito tudo - mas tudo mesmo - com ele. 

Ele era - e é - o homem da tua vida. Sempre. E para sempre. 

E tu foste tão burra! 

Já sabemos que nunca seríamos o que somos agora se não passássemos pelo que passámos e aprendessemos o que aprendemos. 
Eu sei disso tudo. 

Mas sei agora que por mais voltas que eu dê ao mundo; por mais viagens, empregos, experiências loucas que ajudam a esconder a dor; por mais desculpas... Ele é a minha pessoa. 

E podem passar mais 20 anos...

Que eu vou continuar a seguir com a minha vida e a amá-lo exatamente como quando o vi naquela rua cheia de martelos e alhos e pessoas que já não sei quem são porque só tive olhos para aquela pessoa que nunca mais será minha. Nunca mais ficará comigo. Nunca mais vai cometer loucuras comigo. Nunca mais me vai ensinar a ser adulta. Porque a vida é assim mesmo. 

E saber aceitar o nosso destino - por mais que não concordemos com ele - é a forma mais bonita de viver. 

Ganhámos outra visão das coisas. 
E está tudo bem. 

São 2 da manhã de uma terça feira a seguir à Páscoa. Sou uma mulher que assume o erro, aceita-o e larga-o. Mas nunca vou deixar de o amar. 
Vou amá-lo sozinha. E feliz. Sempre e para sempre. 

Com amor, 
Ana 

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