Passei meses a ignorar isto… até ser obrigada a parar

A vida não parou. E eu também não. Durante muito tempo, ignorei os sinais. 
Trabalhei 14 horas por dia, todos os dias, com um único objetivo: juntar dinheiro para o meu projeto pessoal.

Até que o meu corpo falou mais alto. O burnout não apareceu de repente.

Deu sinais. Avisou. Eu é que não quis ouvir.

Parei.

E, pela primeira vez em muito tempo, permiti-me fazer algo que não sabia fazer: descansar.
Sem culpa. Sem vergonha. Sem medo.

Quando voltei, estive 4 meses sem salário. E, surpreendentemente… isso não abalou as minhas finanças.

Foi aí que percebi: a liberdade não está em ganhar mais. Está em não viver em pânico constante.

Iniciei medicação para o stress e ansiedade. E, pela primeira vez, não escondi isso de mim mesma. Nem de ninguém. 

Aceitei.

Curei.

Voltei.

Hoje vivo em Viana. Voltei à minha cidade.

A mesma cidade de sempre. Aquela de que reclamo, como uma velha rabugenta, porque nunca há nada… e quando há, é só barulho e confusão. (Sim, sou dessas.)

Mas a verdade?
Não me imagino a viver em mais lado nenhum.

Assumi a minha casa. A minha vida. O meu presente.

Tenho casa própria; o que, hoje em dia, parece quase um milagre antes dos 40. Mas tenho.

Comecei a renová-la. A torná-la minha.
Respeitando quem lá vive, mas construindo o meu espaço dentro dela.

E, no meio disto tudo, percebi uma coisa muito simples: afinal, a vida não parou.

Mesmo nos dias mais difíceis. Mesmo nas quedas. Mesmo quando tudo parecia incerto.
A vida seguiu. E eu também.

Continuo aqui. Mais consciente. Mais forte. E ainda a lutar pelos meus sonhos.

Porque sim, os sonhos realizam-se. Não quando queremos. Mas quando estamos prontas.

O tempo… esse nunca falha. 🤍

E tu, em que fase da tua vida estás agora? Conta-me tudo!

Com amor, 
Ana

A criação de algo bonito - de acordo com a minha evolução pessoal

Por muito tempo, este espaço foi muitas coisas. 

Foi um refúgio. Um lugar de desabafo. Foi um sítio onde eu vinha quando precisava de me encontrar. Mas o tempo passou. Mudou. E eu também mudei.

Hoje, a Almofada Voadora® já não é o que era. De todo. E ainda bem.


Estou mais calma. Mais consciente. Mais verdadeira. Já não sinto necessidade de explicar tudo. Nem de mostrar tudo. Nem de escrever só porque sinto.

Agora escrevo de outra forma. Com mais intenção. Com mais cuidado. Com mais respeito por mim.

Este não é um recomeço no sentido de começar do zero. É um recomeço no sentido de alinhar.

Alinho com quem sou hoje. Com o que quero partilhar. E com aquilo que escolho guardar.

Se estás por aqui, obrigada. Se calhar, este espaço também é para ti.

Com amor, 
Ana 

Isto não devia estar aqui

Talvez apague este artigo. 
Talvez não.
Talvez guarde para sempre o que devia ter sido dito. 
E nunca foi possível dizer. 
Mas ambos sabemos. 
Porque as palavras não valem nada.
Quando se trata de amor verdadeiro.

Talvez não o devesse dizer agora.
Talvez ele até chegue a ler isto.
Mas nada mudará.
Ficará o mesmo silêncio. 
Porque eu sei que o amor não tem voz. 
Ele simplesmente existe. 
Ambos sabemos que existe. 

E passaram 20 anos. Vinte anos! 
E se eu pudesse...

☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆ 

Se eu pudesse voltar atrás 20 anos... Diria àquela menina que iria conhecer a sua pessoa. 
Pediria que não o largasse. 
Que não procurasse crescer e ver outras coisas. 
Porque de certeza que poderia fazer tudo com ele. 

Porque tu foste educada a ter valores tão teus e tão sérios com base na tua experiência. 
Porque mesmo naquela altura... já sabias que nunca irias magoar ninguém de propósito. Sabias que podias amar incondicionalmente sem magoar, sem trair, sem esconder. 

Porque na verdade nunca magoaste de propósito.
Nunca traíste.
Nunca escondeste. 
Mesmo quando doía falavas sempre. Mas sempre a verdade. 

Então... apesar de teres passado por tudo o que passaste nestes últimos 20 anos... podias ter feito tudo - mas tudo mesmo - com ele. 

Ele era - e é - o homem da tua vida. Sempre. E para sempre. 

E tu foste tão burra! 

Já sabemos que nunca seríamos o que somos agora se não passássemos pelo que passámos e aprendessemos o que aprendemos. 
Eu sei disso tudo. 

Mas sei agora que por mais voltas que eu dê ao mundo; por mais viagens, empregos, experiências loucas que ajudam a esconder a dor; por mais desculpas... Ele é a minha pessoa. 

E podem passar mais 20 anos...

Que eu vou continuar a seguir com a minha vida e a amá-lo exatamente como quando o vi naquela rua cheia de martelos e alhos e pessoas que já não sei quem são porque só tive olhos para aquela pessoa que nunca mais será minha. Nunca mais ficará comigo. Nunca mais vai cometer loucuras comigo. Nunca mais me vai ensinar a ser adulta. Porque a vida é assim mesmo. 

E saber aceitar o nosso destino - por mais que não concordemos com ele - é a forma mais bonita de viver. 

Ganhámos outra visão das coisas. 
E está tudo bem. 

São 2 da manhã de uma terça feira a seguir à Páscoa. Sou uma mulher que assume o erro, aceita-o e larga-o. Mas nunca vou deixar de o amar. 
Vou amá-lo sozinha. E feliz. Sempre e para sempre. 

Com amor, 
Ana