A espera tem um peso que não aparece em lado nenhum. Nem nos orçamentos, nem nas conversas rápidas com quem nunca passou por isto. Mas está lá. Todos os dias. Instala-se devagar. Não é só o pó. Não é só o barulho. Não é só o dinheiro. É a espera. A merda da espera que as coisas aconteçam. Tudo começa como uma expectativa bonita: “Vai ficar tão lindo!” “Vai valer a pena.” “Está quase.” E depois… o “quase” começa a alongar-se. Os dias passam. As respostas não chegam. Os silêncios aumentam. E, de repente, já não é só sobre a obra. É sobre aquilo que representa. Para mim, este sótão não é só um espaço. É o meu espaço. O meu ninho. É o sítio onde eu imagino a paz, o foco, o silêncio. E talvez uma versão mais adulta de mim. Talvez seja por isso que está a custar tanto esperar. Porque não estou só à espera de paredes novas ou de um telhado terminado. Estou à espera de um lugar onde eu sinto que a minha vida pode avan...
Escrevo sobre recomeços, hábitos e a arte de reconstruir uma vida, um pequeno passo de cada vez.