Porque é que o espaço onde vivemos influencia tanto a nossa paz?

Acredito que a paz é um estado de espírito. Mas também acredito que os lugares onde vivemos têm uma influência muito maior do que imaginamos.

Nos últimos meses vivi num quarto improvisado, na sala da nossa casa. Tinha uma cama. Uma cómoda. E tudo aquilo de que precisava para sobreviver. Mas nunca deixei de sentir que estava apenas de passagem. 

Sabia que era uma vida provisória. 


Curiosamente, não era a falta de espaço que mais me incomodava. Era a falta de pertença. 

Não tinha um canto verdadeiramente meu.

Não tinha um lugar onde pudesse fechar a porta, escrever, estudar ou simplesmente estar em silêncio.


Foi apenas quando subi finalmente para o meu sótão que percebi que a paz não veio porque o quarto era bonito. Nem porque os móveis eram novos. Nem porque a decoração estava terminada. A paz apareceu porque, pela primeira vez em muito tempo, senti que tinha encontrado novamente o meu lugar.

E isso fez-me pensar. 

Quantas vezes tentamos mudar a nossa vida sem olhar para o espaço onde vivemos?


Não estou a falar de casas grandes. Nem de móveis caros. Estou a falar de um espaço que nos acolhe. Que nos representa. Que nos permite descansar.

Às vezes passamos anos a cuidar de tudo e de todos. Mas esquecemo-nos de cuidar do lugar onde recomeçamos todos os dias.

Talvez seja por isso que hoje olho para o meu quarto de forma diferente. 

Não é apenas um quarto. É um lembrete.

Todos os dias me recorda que reconstruir uma vida começa, muitas vezes, por criar um lugar onde nos sentimos verdadeiramente em casa.


🌷 Método Almofada Voadora®

Princípio #1

O espaço onde vivemos influencia a forma como vivemos.

Não porque determine quem somos. Mas porque pode facilitar - ou dificultar - a forma como descansamos, pensamos, criamos e recuperamos.


Capítulos de Reconstrução - Está tudo resolvido. E agora?

Vivi os últimos meses com um objetivo muito claro: acabar a obra do meu cantinho. Durante estes dezoito meses, todas as decisões passaram por esse sonho. E, de repente... A obra terminou. O espaço ficou pronto, os armários estão montados e está pronto a habitar. 

Pela primeira vez em muito tempo, tive de me sentar e perguntar: E agora? O que faço?




Descobri recentemente que grandes objetivos têm uma característica curiosa: quando acabam, deixam silêncio. E foi nesse silêncio que comecei a perceber que a reconstrução exterior tinha terminado. Mas havia uma reconstrução muito maior para continuar.

Foi nesse dia que percebi que o Método Almofada Voad
ora® não era um destino. Era uma consequência. Sem ter consciência nisso, sem dar enfase ou até mesmo sem me aperceber, passei anos a aprender.

Aprendi com o dinheiro.

Aprendi com o burnout.

Aprendi com a espera.

Aprendi com o regresso.

Aprendi que as grandes mudanças não acontecem de um dia para o outro.

Acontecem quando começamos a mudar a forma como pensamos, como escolhemos e como vivemos.

Foi então que fiz uma pergunta a mim própria: 

E se tudo aquilo que já vivi puder ajudar alguém que hoje está exatamente onde eu já estive?


Não tenho a pretensão de ensinar a viver. Cada pessoa tem a sua história. Cada caminho é único. Mas posso partilhar aquilo que aprendi enquanto reconstruía a minha própria vida.

E é isso que nasce agora. Não um curso. Não uma fórmula. Não promessas de felicidade.

Aqui nasce um espaço onde histórias reais dão origem a ferramentas práticas.


Onde cada experiência termina com uma aprendizagem. E onde cada aprendizagem pode transformar-se num pequeno passo. Porque foi assim que eu consegui reconstruir a minha vida.

Um passo de cada vez.


E acredito que é assim que qualquer grande transformação começa.

Não com uma revolução. Mas com uma decisão.

Bem-vindo ao
 Método Almofada Voadora®.

A partir de agora continuarei a contar histórias. 
Mas, no final de cada uma delas, quero deixar-te sempre uma pergunta. 

Talvez seja essa pergunta que te ajude a começar a reconstruir a tua própria história.

Com amor, 
Ana 

Afinal... porque vos contei tudo isto?

Quando comecei esta série, pensei que estava apenas a contar a história da obra da minha casa. Fui criando conteúdo para lembrança futura, tal como fiz em 2020, com a obra grande. Nunca pensei que seria um passo enorme e uma transformação gigante na minha vida. 

Hoje sei que nunca foi sobre uma obra. Foi sobre uma reconstrução total e pessoal.













Ao longo destes capítulos, seguiste uma viagem que começou com um sótão cheio de humidade e terminou num quarto onde finalmente encontrei paz.

Mas, pelo caminho, houve muito mais do que paredes, telhados e móveis.

Houve ambição.

Houve consumismo disfarçado de abundância.

Houve dois empregos.

Houve um burnout.

Houve medo.

Houve um regresso.


Houve dezoito meses de espera.


E houve uma pergunta que esteve sempre presente, mesmo quando eu ainda não a sabia bem formular:

Como é que reconstruímos uma vida quando sentimos que nos perdemos pelo caminho?


Foi essa pergunta que começou a mudar tudo.

Fui dando conta que cada experiência difícil me deixava mais uma aprendizagem.

Que cada obstáculo me obrigava a crescer. 

Que cada espera escondia sempre mais uma lição.

E, sem dar por isso, comecei a criar pequenas formas de pensar e de agir que me ajudaram a sair do caos e a construir uma vida muito mais simples, consciente e alinhada com aquilo que realmente sou.

No início achei que eram apenas pequenas aprendizagens espalhadas.

Hoje dou-lhes um nome: o Método Almofada Voadora®


Não nasceu num curso.

Não nasceu num livro.

Nem numa formação.

Nasceu da vida.

Nasceu dos erros que cometi.

Das decisões que tive de tomar.

Das conversas difíceis.

Das perdas.

Dos recomeços.

E da paz que encontrei quando finalmente deixei de correr atrás da vida e comecei a construí-la. 

Um passo de cada vez.

A Almofada Voadora® continuará a ser um lugar de histórias.


Porque acredito que são as histórias que nos unem. Mas, a partir de agora, também quero que seja um lugar de aprendizagem.

Um espaço onde partilho aquilo que vou descobrindo ao longo do caminho, para que outras pessoas possam encontrar o seu próprio caminho de volta a casa.

Talvez a tua casa não tenha um sótão.

Talvez nunca tenhas vivido em Cascais.

Talvez nunca tenhas feito uma obra.

Mas acredito que todos nós temos alguma coisa por reconstruir.

E é exatamente aí que começa o Método Almofada Voadora®


Bem-vindo à próxima etapa desta viagem.


Vamos continuar a voar. Sempre juntos. 🤍

Com amor, 
Ana 

O dia que tudo acaba e tudo começa

Acabou a espera.

Acabou o provisório.

Acabou o sofá-cama.

Acabou a humidade.

Mas começou outra coisa.

Há dias que mudam uma vida inteira.

E depois há dias que apenas nos devolvem aquilo que andávamos à procura há muito tempo.

O dia 20 de junho de 2026 foi um desses dias.


Não houve fogo de artifício.

Não houve música.

Não houve uma grande celebração.

Houve silêncio.

E, curiosamente, era exatamente disso que eu precisava.


Abrir a porta.

O cheiro da tinta ainda fresca.

A luz da janela.

A cama com lençóis novos.

A secretária com o computador ainda desligado.

O primeiro livro na estante.

A primeira noite na cama nova.

As primeiras lágrimas.

Os meus pais.

O Marley.

Quando finalmente me deitei naquela cama, não senti euforia. 

Senti paz.



Isto começa agora ❤

Toda a vida em modo provisório

Voltei a Viana na altura do meu aniversário, em dezembro de 2024. Tudo estava em modo natalício e eu em modo sem-abrigo, a viver na sala.

É curioso como a vida consegue juntar duas realidades tão diferentes na mesma casa.

Lá fora preparava-se o Natal. 
Cá dentro, eu preparava-me para recomeçar.


A árvore de Natal foi substituída por um sofá-cama e uma cómoda para eu viver provisoriamente. Montámos um pequeno quarto na sala de estar para eu poder ficar – supostamente – uns (poucos) meses até se resolver a obra.




Era inverno, ainda ia demorar. Eu tinha noção disso. 


Permiti-me aceitar a minha condição e finalmente pude descansar. Mas sobre esse assunto já falei aqui, por isso não me vou repetir.

Abreviando os artigos já publicados anteriormente, arranjei emprego e a saga das obras dá início.

E aqui segue toda a verdade, incluindo a transcrição de alguns diálogos destes 18 meses:


Pergunta: Tem interesse em fazer esta obra?

Resposta: Claro que tenho, mas estou sem tempo.

Ou

Pergunta: Acha que consegue tratar do telhado?

Resposta: Consigo, mas não sei quando. Estou cheio de trabalho e sem pessoal.

Ou

Pergunta: Quando vem fazer a obra?

Resposta: Por agora não dá. Está a chover.

(e choveu… e choveu… e choveu)

Até que, há uns meses, o tempo começou a dar tréguas. 

E, após reserva prévia, dias, semanas, meses de espera, começamos finalmente a tratar das obras no meu cantinho, das caleiras, do telhado e do arranjo das paredes.

Ouvíamos as notícias sobre Leiria e entendíamos tão bem aquele sofrimento…

Queria muito escrever sobre isso, mas tive de guardar para mim esta espera.

Só alguns amigos mais próximos sabiam.

Não fizemos jantares em casa com a família porque eu vivia exatamente no mesmo lugar onde temos a mesa grande de convívio familiar.


Dezoito longos meses de espera.


Uma vida provisória.

Um quarto provisório.

Até que chegou o dia 20 de junho de 2026. 

O dia que tudo acaba e tudo começa.

O meu regresso não cabia dentro de casa

Trouxe tudo o que tinha de Cascais para Viana. Desta vez, com uma carrinha enorme, trouxe tudo! Cama, secretária, cadeiras, sofá-cama, roupas, sapatos, artigos de decoração e todas as merdices que tinha comprado lá, e não deitei nada fora nem doei nada.

Tudo o que tinha já era investimento.


Durante muito tempo gastei dinheiro sem pensar verdadeiramente no futuro. Comprava coisas porque gostava delas, porque estavam na moda ou porque me faziam sentir bem naquele momento.

Desta vez era diferente. Cada compra tinha um propósito.

A cama era para descansar.

A secretária era para escrever.

A máquina de café era para os pequenos rituais das manhãs que imaginava viver quando regressasse a casa.

Pela primeira vez, não estava a comprar coisas para impressionar ninguém.

Estava a construir uma vida.

Comecei a fazer um enxoval aos 37 anos.


Não um enxoval para casar.

Um enxoval para regressar a mim.

Mas quando volto para casa, percebo uma coisa.

Eu estava pronta para regressar. A casa não.


Durante meses tinha comprado peças para um futuro que imaginava.

Pequenos objetos que simbolizavam estabilidade. Mas quando finalmente cheguei, não havia espaço para nada daquilo. Nem para a vida que eu tinha trazido comigo.

Nada estava preparado para me receber. 

Apenas tinha os meus pais de braços abertos e o Marley a ladrar como um louco.


Não tinha onde dormir.

Não tinha onde colocar as minhas coisas.

O meu investimento não cabia.

Eu estava pronta para a minha nova vida. A minha casa ainda não.

O regresso.

Quando deixei de me reconhecer

Estou com burnout. E agora?


Aceitei que não estava bem quando comecei a ver mal, a ter sensações de desmaio e tive um colapso no trabalho que me levou diretamente para o hospital.

Lá, foram muito claros comigo e disseram-me que não podia seguir com o ritmo de vida que tinha, que deveria escolher apenas um emprego e fazer as horas de um trabalhador considerado “normal”. (Eu trabalhava 14 horas por dia e folgava meios-dias e nunca dias inteiros) Estive umas semanas em Viana, de baixa, a ser seguida pelos médicos tanto de Viana como de Cascais.

Mas eu ainda queria continuar. 


O meu objetivo era fazer a obra estando ainda em Cascais e voltar quando estivesse tudo pronto. O problema é que nenhuma empresa me queria mandar embora ou chegar a acordo. As propostas eram ainda melhores só para eu ficar, mas não podia ser.

Eu via-me ao espelho e já não me reconhecia. E essa foi a sensação mais estranha que tive. Olhar para mim e sentir-me completamente perdida.


Não sabia o que queria ao certo. Não sabia o que fazer. Entrei em total desespero.

Achava que a decisão mais difícil da minha vida seria partir.

Mas, afinal, a decisão mais difícil foi regressar.

Regressar significava admitir que os meus planos tinham mudado.


Que eu tinha mudado.

Que o sucesso que procurava já não era o mesmo.

Não sabia exatamente como iria resolver tudo.

Mas sabia uma coisa.

Não podia continuar como nem onde estava.

E pela primeira vez em muitos meses, tomei a decisão.

Voltar para casa.

Cara de burnout 

Viagens 

Vida encaixotada

Mais uma mudança

Vazio.

Era suposto sentir-me feliz

Quando fui para Lisboa tinha um objetivo muito claro e nunca o neguei: ganhar dinheiro.

Durante meses, trabalhei mais do que alguma vez tinha trabalhado na vida.


Dois empregos. 

Dias intermináveis. 

Poucas horas de descanso. 

Pouco tempo para mim.

Mas resultou. 

O objetivo tinha sido cumprido.

Era suposto sentir-me feliz. Mas não foi isso que aconteceu.


Estava sozinha. Estava exausta. Estava mais magra do que alguma vez tinha estado.

E um dia acabei no Hospital de Cascais com um burnout.

Foi nesse momento que percebi uma coisa que nunca ninguém me tinha ensinado: há objetivos que conseguimos alcançar ao mesmo tempo que nos perdemos pelo caminho.

Tinha tudo o que queria: um bom emprego e um outro extra que me dava bom dinheiro e era amada pelas duas empresas. Nenhuma me queria dispensar e eu não sabia o que fazer.

Também não queria deixar ninguém ficar mal, mas começava a ser insuportável viver aquele ritmo louco.

Ao ficar doente, tive tempo. Tempo para pensar realmente no que estava a sentir.


Estava vazia.

Sentia falta dos meus pais.

Do Marley.

Dos abraços.

Dos jantares demorados.

Da vida simples que durante tanto tempo considerei garantida.

Mas havia um problema. (Algo que nunca pude partilhar aqui, até agora) 


Não tinha para onde voltar.


O sótão não estava habitável.

E, pela primeira vez, percebi a ironia da situação.

Passei meses a reconstruir as minhas finanças.

Mas a casa que queria chamar de lar continuava por reconstruir.






Permiti que a casa – a minha parte da casa – se destruísse...

 ... E mal eu sabia que eu também me estava a destruir aos poucos. 


O que Cascais me ensinou sobre abundância

Corria o ano 2023 e, graças a uma pessoa a quem serei eternamente grata por toda a aprendizagem, saí de novo de Viana. E lá fui eu… viver para Cascais.


Cascais é um mundo completamente diferente de tudo o que eu já vi e vivi.

Foi lá que comecei a observar estilos de vida, ambições e formas de encarar o sucesso muito diferentes das minhas. Foi lá que comecei a perceber uma coisa que nunca tinha questionado.

Durante muito tempo associei sucesso àquilo que era visível. Ao dinheiro. À roupa. À imagem. Ao estatuto.

Mas quanto mais observava as pessoas à minha volta, mais percebia que as verdadeiramente seguras de si eram quase invisíveis.

Não precisavam de provar nada a ninguém.

E esta foi uma lição que me acompanhou muito depois de sair de lá.

Apercebi-me que as pessoas pseudo-ricas ostentativas não me faziam bem.

Eu sou vaidosa, mas não sou de manias nem luxos. Nunca fui e nunca serei. Mas gosto de me vestir bem. Cuido de mim e arranjo-me porque sim. Não porque quero mostrar seja o que for. 


Ao longo do tempo fui aprendendo a ser discreta, cuidada, vaidosa, mais dona de mim.


Sabes quando queres sentir te bem, mas sem querer parecer sexy ou provocadora? Pois foi isso que aprendi.

A essência brilha seja qual for o tipo de roupa ou a marca da bolsa.

E foi nessa altura que comecei a olhar para a minha própria vida de forma diferente.

Para o dinheiro.

Para as minhas escolhas.

Para a casa que tinha deixado para trás.

E sem perceber, comecei a preparar-me para regressar.

Ainda não sabia.

Mas o caminho de volta já tinha começado.

Cascais 2023/2024


Chegou finalmente a altura de contar tudo

Não é por acaso que este blog esteve calado. Não é coincidência todo este silêncio, as palavras curtas ou as fotografias enigmáticas.


Estou ansiosa por vos contar tudo o que tive de manter em silêncio nos últimos tempos.



Estive a preparar uma nova entrada. E chegou finalmente a altura de contar tudo. ❤

Como sabem, estive em Lisboa durante um ano. 


Aprendi muito a nível profissional, tive dois empregos, descobri que a abundância é muitas vezes confundida com consumismo e ostentação e, acima de tudo, reconstruí a minha vida por completo.

Fui para Lisboa com um objetivo muito claro: ganhar dinheiro.

Ambiciosa? Sim, sou.

Mas por que não o ser?

Eu tinha um foco. Queria resolver as minhas finanças e juntar dinheiro para uma obra que é sonhada há seis anos.

Em 2020 remodelámos a nossa casa em Viana. 


Fizemos, em família, uma obra enorme que nos obrigou a viver fora durante alguns meses para que tudo pudesse ficar novo.

Quando regressámos, a parte de baixo da casa estava pronta.

Ficou linda.

Ficou nossa.

Ficou o nosso lar.

Com o passar do tempo, começou a chover para dentro de casa. O meu sótão ganhou humidade e tornou-se inabitável.

Mas, nessa altura, eu estava longe.


Tinha planos de não viver em Viana, de não viver naquela casa e de continuar durante mais algum tempo entre viagens, experiências e empregos fora da minha cidade.

Basicamente, não quis saber.

Enquanto perseguia novos projetos, novas experiências e novas oportunidades, deixei aquela parte da casa para trás.

Na altura parecia apenas um sótão.

Hoje sei que era muito mais do que isso.

Mas essa descoberta ainda estava longe de acontecer.


Obra 2020

Cascais 2023/2024



Este é o primeiro artigo sobre o tema

Casa. 
Dois anos de espera. 
Sofá.
Sala. 
Falta de privacidade. 
Apoio da família.
Stress. 
Ansiedade. 
Saudade da independência. 
Choro escondido. 
Sorrir para o mundo. 
Rezar na cama para Deus. 

Só Deus sabe. 
Converso com Ele todos os dias. 
Há dois anos. 
Religiosamente. 
Agradeço. 
Entrego. 
Peço. 
Confio. 

Chegou a hora. 
Vai começar agora. 
A minha vida está finalmente 
A começar. 
Obrigada. 

Madrid - a prova

Uma viagem muito especial a Madrid

De prenda do dia do pai, ofereci-lhe uma viagem de pai e filha até Madrid. Tudo incluído (viagem, hotel e visitas a museus). 

Foi maravilhoso partilhar esta viagem com ele. Andamos imenso, comemos muito (tapas tapas e mais tapas) e andamos ainda mais. Não sei como foi possível engordar mesmo com tanto quilómetro em cima dos meus pés. Mas sim, engordei 😳

Fomos ao Estádio do Real Madrid, ao Museu do Prado e ao Reina Sofia. 

O Museu do Prado é gigante. E é só quadros e mais quadros de gente muito feia. 
Mas verdade seja dita, em vez das fotografias que hoje temos de forma quase instantânea, antigamente os retratos eram belíssimos. Enormes e detalhados. Coloridos e com uma perfeição tal, que se algo corresse mal, ia logo uma cabeça pelo ar. 

No Reina Sofia vi o meu amor de toda a vida. Salvador Dalí e a Menina à janela. O meu quadro favorito. O quadro que me inspira a escrever histórias de amores impossíveis com final feliz. E vi outros tantos dele que me encheram os olhos de lágrimas e o coração a transbordar de orgulho por estar ao lado do meu pai a viver isto tudo. 

No meio disto tudo... importa dizer que a mamã ficou em casa porque quis. Eu pensava que ela precisava de um tempo para ela. Sem responsabilidades e horas para fazer comer, arrumar e ter tudo como ela gosta. Afinal não gosta. 

Percebeu que o que a faz feliz é mesmo cuidar de nós e estar ocupada e stressada com tempos, horas e roupa para lavar. 

Tenho a melhor família do mundo. Perfeitamente imperfeita. E perfeitamente maravilhosa. 

Que orgulho! 
Quem não gosta, que ponha na beira do pratinho. 

Com amor,
Ana 

Estou numa fase estranha: nem perdida, nem completamente encontrada

Há fases da vida que não sabemos muito bem explicar.


Não estamos mal. Mas também não estamos exatamente bem.

Não estamos perdidas. Mas também não sentimos que já chegámos.

Estamos no meio. E o meio é estranho.



Porque não tem a intensidade do caos, mas também ainda não tem a paz da chegada.

É um espaço mais silencioso. Mais lento. Mais indefinido. E isso, às vezes, confunde. E enerva.

Queremos respostas. Queremos certezas. Queremos saber “o que vem a seguir”. Queremos tudo. Mas não há. Só há este momento. Esta versão. Ainda em construção. 


E, por muito tempo, sentir isso incomodava-me.

Sentia que devia já saber. Que devia já estar mais à frente. Mais resolvida. Mais “pronta”.
Mas a verdade é que não há um momento em que tudo fica pronto. Há fases. E esta é uma delas.

Uma fase em que já não sou quem fui, mas ainda estou a tornar-me quem vou ser.
E está tudo certo com isso.

Hoje começo a ver este caminho do “meio” de outra forma. Não como falta de direção. Mas como espaço para respirar.

Para ajustar. Para ouvir. Para crescer sem pressa. Sem ter de provar nada a ninguém.
Nem sequer a mim.

Porque talvez a vida não seja sobre chegar rapidamente a algum lado. Talvez seja sobre aprender a estar mesmo quando ainda não sabemos bem onde estamos.

E tu? Consegues aceitar as fases em que ainda não tens todas as respostas? 
🤍

Com amor, 
Ana

Ninguém fala disto: o desconforto de finalmente estar bem

Há uma coisa estranha que acontece quando a vida acalma. E ninguém nos prepara para isso.


Passamos tanto tempo a resolver problemas, a sobreviver, a aguentar… que quando, finalmente, tudo abranda… ficamos desconfortáveis.




Sem motivo aparente. Sem drama. Mas com uma inquietação difícil de explicar.
Como se algo estivesse errado. Mas não está. Está tudo bem. E, mesmo assim… o corpo não acredita.

A mente continua em alerta. À espera de um problema. À espera de uma queda. À espera de voltar ao que era antes.

Porque foi isso que aprendeu. Por demasiado tempo, viver em esforço foi o normal.


O caos era familiar. A ansiedade era constante. O cansaço fazia parte.
E, de repente… silêncio.

Espaço.

Tempo.

Calma.

E isso assusta tanto.

Assusta não ter nada urgente para resolver.


Assusta não estar em modo sobrevivência. Assusta sentir que, desta vez, pode mesmo estar tudo bem.

E é aqui que entra o verdadeiro trabalho. Não é chegar ao “bem”. É saber ficar nele.

Sem sabotar. Sem criar problemas onde não existem. Sem fugir.

Ficar.

Respirar.

Confiar.

Aprender que paz não é ausência de movimento… é ausência de guerra cá dentro.

E isso leva tempo. Mas aprende-se.

Hoje, quando sinto esse desconforto, já não entro em pânico. Reconheço. Acolho. E lembro-me: isto não é perigo. É só novidade.

E tu? Consegues estar bem sem sentir que algo vai correr mal? 
🤍 

Conta-me tudo! 
Com amor, 
Ana 

Há sonhos que só fazem sentido quando paramos de fugir

Sempre pensei que o meu caminho era ir. Só ir. 

Ir para longe.
Mais longe.
Ir mais rápido.
Ir para outro lugar.

Achava que crescer era isso: sair, mudar, procurar. Sempre mais.



E fui. A minha última maluquice levou-me para Cascais.

Fui atrás de uma versão de mim que acreditava que estava noutro sítio.


E não me arrependo.
Aprendi muito.
Cresci.
Transformei-me.

Agora estou de volta.

À minha cidade.
À minha casa.
A mim.

E, pela primeira vez, não senti que estava a voltar atrás.
Senti que estava a chegar.

 IRRECONHECIVEL


Percebi que nem todos os sonhos passam por ir embora.
Alguns passam por ficar.

Ficar onde faz sentido.
Ficar onde há paz.
Ficar onde conseguimos, finalmente… respirar.

Hoje olho para trás e vejo que precisei de ir para perceber que queria ficar.
E está tudo certo com isso.

Porque crescer não é só avançar. Às vezes, crescer é descobrir o nosso lugar. 🤍

E tu? Estás a ir porque queres, ou porque sentes que tens de ir? Comenta aqui o que pensas disso. 

Com amor, 
Ana 

Um exercício simples para quando a tua cabeça não desliga (e o dinheiro pesa)

Eu sei que há dias em que não é o dinheiro que pesa. É o pensamento constante sobre ele.

Vivemos uma fase bem complicada neste momento. Por culpa disso, pensamos sempre no que falta, no que pode acontecer, no “e se…”. E, de repente, já não estamos no presente.

Foi por isso que comecei a criar pequenos momentos de pausa, ou momentos de respirar, como chamo no meu método Almofada Voadora®.



Deixo-te aqui um exercício simples. Daqueles que ajudam mesmo:


🧘‍♀️ O exercício das 3 pausas

Para.

Fecha os olhos por um momento. Não resolvas nada agora.

Respira.

Inspira fundo. Expira devagar. Repete 3 vezes.

Volta.

Pergunta a ti mesma: “O que está realmente a acontecer neste momento?”

Nem sempre conseguimos controlar tudo. Mas conseguimos sempre voltar a nós.

Hoje, já paraste um bocadinho?

Com amor, 
Ana

Ter dinheiro não me trouxe paz. Mas ensinou-me isto

Por muito tempo, achei que o problema da minha vida era simples: falta de dinheiro.

Vivia com medo.
Medo de não conseguir pagar contas.
Medo de imprevistos.
Medo constante.

E dizia para mim mesma: “Quando tiver dinheiro vou finalmente ficar em paz.”

Pois bem. Tive. E não fiquei nada do que imaginava.

Ter dinheiro tirou-me um peso, sim. Mas não apagou o medo. 
Porque o medo não estava na conta bancária. Estava em mim.

Estive meses sem salário. 
E o mundo não acabou.

Mas sabes o que não desapareceu?


Aquela voz no fundo a dizer: “E se isto acaba?”

E é aqui que tudo muda.


Percebi que segurança não é ter dinheiro. É saber lidar com ele. E, mais importante ainda… saber lidar comigo mesma.

Atualmente estou a passar por uma fase completamente diferente do que estava habituada.

A conta já não está como estava. As obras vieram. A vida aconteceu.

E, curiosamente, sinto-me mais tranquila agora do que antes.

Não porque tenha mais dinheiro. Mas porque tenho mais consciência.


Já sei que consigo.

Já sei que, mesmo quando parece que estou a perder controlo. Não estou.

Estou só a viver. E a aprender.

Aprendi que dinheiro ajuda, claro que ajuda.
Mas não resolve tudo.

Não cura o medo.
Não traz paz sozinho.
Não constrói segurança emocional.

Tudo isso, na verdade, constrói-se cá dentro.

E demora. Mas chega.

Hoje continuo a querer estabilidade.
Continuo a querer crescer.
Continuo a querer mais.

Mas já não vivo em pânico. 
E isso, para mim, já é riqueza. 🤍

E tu? A tua relação com o dinheiro é de paz ou de medo? Conta-me! 

Com amor, 
Ana 

Passei meses a ignorar isto… até ser obrigada a parar

A vida não parou. E eu também não. Durante muito tempo, ignorei os sinais. 
Trabalhei 14 horas por dia, todos os dias, com um único objetivo: juntar dinheiro para o meu projeto pessoal.

Até que o meu corpo falou mais alto. O burnout não apareceu de repente.

Deu sinais. Avisou. Eu é que não quis ouvir.

Parei.

E, pela primeira vez em muito tempo, permiti-me fazer algo que não sabia fazer: descansar.
Sem culpa. Sem vergonha. Sem medo.

Quando voltei, estive 4 meses sem salário. E, surpreendentemente… isso não abalou as minhas finanças.

Foi aí que percebi: a liberdade não está em ganhar mais. Está em não viver em pânico constante.

Iniciei medicação para o stress e ansiedade. E, pela primeira vez, não escondi isso de mim mesma. Nem de ninguém. 

Aceitei.

Curei.

Voltei.

Hoje vivo em Viana. Voltei à minha cidade.

A mesma cidade de sempre. Aquela de que reclamo, como uma velha rabugenta, porque nunca há nada… e quando há, é só barulho e confusão. (Sim, sou dessas.)

Mas a verdade?
Não me imagino a viver em mais lado nenhum.

Assumi a minha casa. A minha vida. O meu presente.

Tenho casa própria; o que, hoje em dia, parece quase um milagre antes dos 40. Mas tenho.

Comecei a renová-la. A torná-la minha.
Respeitando quem lá vive, mas construindo o meu espaço dentro dela.

E, no meio disto tudo, percebi uma coisa muito simples: afinal, a vida não parou.

Mesmo nos dias mais difíceis. Mesmo nas quedas. Mesmo quando tudo parecia incerto.
A vida seguiu. E eu também.

Continuo aqui. Mais consciente. Mais forte. E ainda a lutar pelos meus sonhos.

Porque sim, os sonhos realizam-se. Não quando queremos. Mas quando estamos prontas.

O tempo… esse nunca falha. 🤍

E tu, em que fase da tua vida estás agora? Conta-me tudo!

Com amor, 
Ana

A criação de algo bonito - de acordo com a minha evolução pessoal

Por muito tempo, este espaço foi muitas coisas. 

Foi um refúgio. Um lugar de desabafo. Foi um sítio onde eu vinha quando precisava de me encontrar. Mas o tempo passou. Mudou. E eu também mudei.

Hoje, a Almofada Voadora® já não é o que era. De todo. E ainda bem.


Estou mais calma. Mais consciente. Mais verdadeira. Já não sinto necessidade de explicar tudo. Nem de mostrar tudo. Nem de escrever só porque sinto.

Agora escrevo de outra forma. Com mais intenção. Com mais cuidado. Com mais respeito por mim.

Este não é um recomeço no sentido de começar do zero. É um recomeço no sentido de alinhar.

Alinho com quem sou hoje. Com o que quero partilhar. E com aquilo que escolho guardar.

Se estás por aqui, obrigada. Se calhar, este espaço também é para ti.

Com amor, 
Ana 

Isto não devia estar aqui

Talvez apague este artigo. 
Talvez não.
Talvez guarde para sempre o que devia ter sido dito. 
E nunca foi possível dizer. 
Mas ambos sabemos. 
Porque as palavras não valem nada.
Quando se trata de amor verdadeiro.

Talvez não o devesse dizer agora.
Talvez ele até chegue a ler isto.
Mas nada mudará.
Ficará o mesmo silêncio. 
Porque eu sei que o amor não tem voz. 
Ele simplesmente existe. 
Ambos sabemos que existe. 

E passaram 20 anos. Vinte anos! 
E se eu pudesse...

☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆ 

Se eu pudesse voltar atrás 20 anos... Diria àquela menina que iria conhecer a sua pessoa. 
Pediria que não o largasse. 
Que não procurasse crescer e ver outras coisas. 
Porque de certeza que poderia fazer tudo com ele. 

Porque tu foste educada a ter valores tão teus e tão sérios com base na tua experiência. 
Porque mesmo naquela altura... já sabias que nunca irias magoar ninguém de propósito. Sabias que podias amar incondicionalmente sem magoar, sem trair, sem esconder. 

Porque na verdade nunca magoaste de propósito.
Nunca traíste.
Nunca escondeste. 
Mesmo quando doía falavas sempre. Mas sempre a verdade. 

Então... apesar de teres passado por tudo o que passaste nestes últimos 20 anos... podias ter feito tudo - mas tudo mesmo - com ele. 

Ele era - e é - o homem da tua vida. Sempre. E para sempre. 

E tu foste tão burra! 

Já sabemos que nunca seríamos o que somos agora se não passássemos pelo que passámos e aprendessemos o que aprendemos. 
Eu sei disso tudo. 

Mas sei agora que por mais voltas que eu dê ao mundo; por mais viagens, empregos, experiências loucas que ajudam a esconder a dor; por mais desculpas... Ele é a minha pessoa. 

E podem passar mais 20 anos...

Que eu vou continuar a seguir com a minha vida e a amá-lo exatamente como quando o vi naquela rua cheia de martelos e alhos e pessoas que já não sei quem são porque só tive olhos para aquela pessoa que nunca mais será minha. Nunca mais ficará comigo. Nunca mais vai cometer loucuras comigo. Nunca mais me vai ensinar a ser adulta. Porque a vida é assim mesmo. 

E saber aceitar o nosso destino - por mais que não concordemos com ele - é a forma mais bonita de viver. 

Ganhámos outra visão das coisas. 
E está tudo bem. 

São 2 da manhã de uma terça feira a seguir à Páscoa. Sou uma mulher que assume o erro, aceita-o e larga-o. Mas nunca vou deixar de o amar. 
Vou amá-lo sozinha. E feliz. Sempre e para sempre. 

Com amor, 
Ana 

Há coisas que ninguém nos explica sobre obras em casa

A espera tem um peso que não aparece em lado nenhum. Nem nos orçamentos, nem nas conversas rápidas com quem nunca passou por isto. Mas está lá. Todos os dias. Instala-se devagar.

Não é só o pó. Não é só o barulho. Não é só o dinheiro. 

É a espera. A merda da espera que as coisas aconteçam. 

Tudo começa como uma expectativa bonita:
“Vai ficar tão lindo!”
“Vai valer a pena.”
“Está quase.”

E depois… o “quase” começa a alongar-se. 

Os dias passam. As respostas não chegam. Os silêncios aumentam. E, de repente, já não é só sobre a obra. É sobre aquilo que representa.

Para mim, este sótão não é só um espaço. É o meu espaço. O meu ninho. 

É o sítio onde eu imagino a paz, o foco, o silêncio. E talvez uma versão mais adulta de mim.

Talvez seja por isso que está a custar tanto esperar.

Porque não estou só à espera de paredes novas ou de um telhado terminado. Estou à espera de um lugar onde eu sinto que a minha vida pode avançar. E isso pesa.

Há dias em que me sinto tranquila, confiante, quase rendida ao tempo. E há outros em que o meu coração acelera sem razão aparente. Como se tudo estivesse parado. Como se eu estivesse parada.

E a verdade é esta: esperar cansa.

Cansa emocionalmente. Cansa mentalmente. Cansa aquele tipo de cansaço que não se resolve com descanso. Porque não depende de mim. E talvez seja essa a parte mais difícil de aceitar.

Eu estou habituada a fazer. A resolver. A avançar. Mas aqui… não posso fazer mais nada. Aqui, só posso esperar. E confiar.

Tenho aprendido que há fases da vida em que não se constrói com ação. Constrói-se com paciência. Mesmo quando tudo em nós quer o contrário. Mesmo quando apetece acelerar o tempo, ligar mais uma vez, exigir respostas, fazer barulho só para sentir controlo.

Mas crescer também é isto: saber ficar; saber esperar. 


Mesmo quando não queremos. Mesmo quando dói um bocadinho. Muito. Mesmo quando choramos no escuro e rezamos para que o tempo passe depressa e as respostas cheguem. 

Este sótão ainda não está pronto. Mas eu estou a mudar enquanto espero. E talvez essa seja a verdadeira obra no meio disto tudo. ❤

Com amor, 
Ana

Estar perto nem sempre é estar bem

Nem toda a proximidade faz bem. Há relações que nos deixam mais cansadas do que nutridas. Há conversas que pesam mais do que aliviam. E há presenças que, mesmo sendo próximas, não são seguras.



Às vezes, o que mais nos prende é aquilo que já conhecemos. Relações antigas. Dinâmicas repetidas. Formas de estar que parecem normais, só porque sempre foram assim. E não são as melhores. Nem nos fazem bem. 

Mas o hábito não é sinónimo de bem-estar. E o conforto, às vezes, esconde desgaste.

Não precisei de grandes conflitos para perceber isto. Foi tudo natural e silencioso.

Com naturalidade, comecei a afastar-me de certas conversas. Dei por mim a escolher melhor onde coloco a minha energia. A não estar sempre disponível. Sem explicações longas. Sem necessidade de justificar tudo. Só com mais consciência.

Nem todas as pessoas que entram na nossa vida são para ficar da mesma forma.

Há ligações que fazem sentido numa fase. E que, mais tarde, já não acompanham quem nos estamos a tornar. E está tudo bem. ❤

Hoje olho para a proximidade de forma diferente. Porque nem toda a proximidade é saudável.
E aprender a reconhecer isso foi uma das formas mais honestas de me cuidar.

Com amor, 
Ana 

Nem tudo precisa de ser transformação

Parece que vivemos com a ideia de que temos sempre de evoluir. Temos de ser mais conscientes. Mais produtivas. Mais alinhadas. Mais tudo. Mais qualquer coisa.


Tenho percebido que nem todos os momentos são para crescer. Alguns são para integrar. Para ficar.

Para simplesmente viver aquilo que já é. Porque repetir também pode ser saudável. A rotina pode ser uma coisa boa. 

Há dias que são parecidos. Há ritmos que se repetem. Há pequenas rotinas que voltam. 

Agora vejo beleza nisso. Nessa repetição que acalma. Nessa previsibilidade que sustenta. Na vida que não precisa de estar sempre a acontecer para ser válida.

Não me sinto parada. Estou enraizada. E esta foi talvez a minha maior mudança nos últimos tempos.

Perceber que não estou parada. Que estou enraizada. Estou mais presente. Mais consciente do que já tenho. Menos ansiosa por aquilo que ainda não é. E isso trouxe-me conforto. Um conforto silencioso. Sem euforia. 

A tal leveza que sempre sonhei em sentir. Começo a senti-la agora. 

Talvez crescer não seja estar sempre a mudar. Talvez seja, às vezes, ficar exatamente onde estamos… e estar bem com isso. ❤

Com amor, 
Ana 

Nem tudo o que somos precisa de estar acessível ao mundo

Tenho pensado muito sobre aquilo que partilho e aquilo que não partilho. E muitas vezes já escrevi sobre "quem somos realmente quando ninguém está a ver". 

Ora, eu estou a apaixonar-me pela minha versão que ninguém vê. 


Durante muito tempo, essa linha era pouco clara para mim. Não porque não soubesse o que sentia, mas porque sentia que tudo podia ser dito. Como se a partilha fosse sempre um ato de verdade.

Hoje vejo de forma completamente diferente. Nem tudo precisa de estar visível. Nem tudo o que somos precisa de estar acessível ao mundo.

Há partes da vida que são mais silenciosas. Mais frágeis. Mais nossas. E não é por não serem importantes que não aparecem. É precisamente por o serem. 

Escolher também é cuidar. E eu comecei a perceber que escolher o que mostro é uma forma de me cuidar.

Não é criar distância. É criar espaço. Espaço para viver sem interrupção. Sem ter de transformar tudo em palavras. Sem ter de traduzir cada momento. Porque a presença não precisa de provas de nada. 

Nem tudo o que é real precisa de ser visto. Há uma presença que não se explica. Há uma vida que acontece fora das palavras. E isso não a torna menor. Torna-a mais inteira.

Tenho escolhido deixar algumas coisas fora deste espaço. Não por falta de confiança. Mas por excesso de respeito. Por mim, pelo meu tempo, pelo que ainda está a crescer. E curiosamente… nada disso não me afastou. Aproximou-me. De mim. Do que sinto. Do que quero construir. Porque nem tudo o que eu sou está aqui. E isso não diminui este espaço. Só o torna mais verdadeiro.

Com amor, 
Ana, a verdadeira

Há coisas que só precisam de ser vividas

Há partes da vida que ficam mais bonitas quando não são tocadas por muitos olhares.

Tenho vivido momentos simples. Alguns mais leves. Outros mais confusos. Outros bem profundos. E, pela primeira vez, não senti necessidade de os explicar.


 
Fiquei com eles. E isso, surpreendentemente, trouxe-me calma.

Talvez crescer seja isto também.

Nem tudo precisa de ser entendido pelos outros. Há coisas que só precisam de ser vividas. Não expostas. Não partilhadas. Só vividas. 

E, por agora, isso chega.

Com amor, 
Ana

Agora sei que partilhar não é expor tudo | Sobre crescer

Aprendi - e ainda estou a aprender - que posso ser honesta e escrever sobre tudo e mais alguma coisa sem me despir completamente. Posso escrever com alma sem entregar tudo.

Este espaço sempre foi verdadeiro. E continua a ser. Mas verdade não significa exposição total.

Há coisas que agora guardo. Não por medo. Mas por cuidado.


Porque são minhas. E porque há uma diferença muito grande entre partilhar e entregar-me por completo ao olhar dos outros. 

A ausência também faz parte. E estar mais ausente também foi uma forma de presença. Presença na minha vida. No meu corpo. Nas minhas escolhas.

Nem sempre preciso de estar aqui para estar ligada a este espaço.

Às vezes preciso de sair dele. Para poder voltar com mais verdade. E acho que isso também faz parte de crescer.

A Almofada Voadora continua a ser um lugar seguro. Mas agora é também um lugar com limites.

E esses limites não afastam. Protegem.

Vou continuar a escrever. A partilhar. A criar. Mas a partir de um lugar mais calmo. Mais consciente. Mais meu.

Por isso, se estás por aqui, obrigada. Mesmo quando não escrevo, este espaço continua vivo, porque tu estás desse lado. E eu também estou aqui.

Só que agora, com mais silêncio. E com mais intenção.

Com amor, 
Ana

Nem tudo o que é meu é para ser mostrado

Tenho estado mais ausente. E não foi por falta de coisas para dizer. Foi, talvez pela primeira vez, por aprender a não dizer tudo.

Houve um tempo em que eu sentia que precisava de partilhar para existir. Como se o que não fosse dito não fosse real. Como se o silêncio fosse vazio. Hoje já não sinto isso. Bem pelo contrário. 

Hoje percebo que há partes da vida que crescem melhor no silêncio. Que há momentos que não precisam de testemunhas. E que nem tudo o que é bonito precisa de ser mostrado.

Tenho vivido coisas minhas. Coisas simples, mas importantes. Tenho tido dias em que estou mais presente na vida real e fora das redes. Momentos em que escolho ficar comigo, em vez de correr para fora.

E isso mudou completamente a forma como escrevo.