Estou com burnout. E agora?
Aceitei que não estava bem quando comecei a ver mal, a ter sensações de desmaio e tive um colapso no trabalho que me levou diretamente para o hospital.
Lá, foram muito claros comigo e disseram-me que não podia seguir com o ritmo de vida que tinha, que deveria escolher apenas um emprego e fazer as horas de um trabalhador considerado “normal”. (Eu trabalhava 14 horas por dia e folgava meios-dias e nunca dias inteiros) Estive umas semanas em Viana, de baixa, a ser seguida pelos médicos tanto de Viana como de Cascais.
Mas eu ainda queria continuar.
O meu objetivo era fazer a obra estando ainda em Cascais e voltar quando estivesse tudo pronto. O problema é que nenhuma empresa me queria mandar embora ou chegar a acordo. As propostas eram ainda melhores só para eu ficar, mas não podia ser.
Eu via-me ao espelho e já não me reconhecia. E essa foi a sensação mais estranha que tive. Olhar para mim e sentir-me completamente perdida.
Não sabia o que queria ao certo. Não sabia o que fazer. Entrei em total desespero.
Achava que a decisão mais difícil da minha vida seria partir.
Mas, afinal, a decisão mais difícil foi regressar.
Regressar significava admitir que os meus planos tinham mudado.
Que eu tinha mudado.
Que o sucesso que procurava já não era o mesmo.
Não sabia exatamente como iria resolver tudo.
Mas sabia uma coisa.
Não podia continuar como nem onde estava.
E pela primeira vez em muitos meses, tomei a decisão.
Voltar para casa.
Cara de burnout
Viagens
Vida encaixotada
Mais uma mudança
Vazio.






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