Tudo o que tinha já era investimento.
Durante muito tempo gastei dinheiro sem pensar verdadeiramente no futuro. Comprava coisas porque gostava delas, porque estavam na moda ou porque me faziam sentir bem naquele momento.
Desta vez era diferente. Cada compra tinha um propósito.
A cama era para descansar.
A secretária era para escrever.
A máquina de café era para os pequenos rituais das manhãs que imaginava viver quando regressasse a casa.
Pela primeira vez, não estava a comprar coisas para impressionar ninguém.
Estava a construir uma vida.
Comecei a fazer um enxoval aos 37 anos.
Não um enxoval para casar.
Um enxoval para regressar a mim.
Mas quando volto para casa, percebo uma coisa.
Eu estava pronta para regressar. A casa não.
Durante meses tinha comprado peças para um futuro que imaginava.
Pequenos objetos que simbolizavam estabilidade. Mas quando finalmente cheguei, não havia espaço para nada daquilo. Nem para a vida que eu tinha trazido comigo.
Nada estava preparado para me receber.
Apenas tinha os meus pais de braços abertos e o Marley a ladrar como um louco.
Não tinha onde dormir.
Não tinha onde colocar as minhas coisas.
O meu investimento não cabia.
Eu estava pronta para a minha nova vida. A minha casa ainda não.


Sem comentários:
Enviar um comentário