Toda a vida em modo provisório

Voltei a Viana na altura do meu aniversário, em dezembro de 2024. Tudo estava em modo natalício e eu em modo sem-abrigo, a viver na sala.

É curioso como a vida consegue juntar duas realidades tão diferentes na mesma casa.

Lá fora preparava-se o Natal. 
Cá dentro, eu preparava-me para recomeçar.


A árvore de Natal foi substituída por um sofá-cama e uma cómoda para eu viver provisoriamente. Montámos um pequeno quarto na sala de estar para eu poder ficar – supostamente – uns (poucos) meses até se resolver a obra.




Era inverno, ainda ia demorar. Eu tinha noção disso. 


Permiti-me aceitar a minha condição e finalmente pude descansar. Mas sobre esse assunto já falei aqui, por isso não me vou repetir.

Abreviando os artigos já publicados anteriormente, arranjei emprego e a saga das obras dá início.

E aqui segue toda a verdade, incluindo a transcrição de alguns diálogos destes 18 meses:


Pergunta: Tem interesse em fazer esta obra?

Resposta: Claro que tenho, mas estou sem tempo.

Ou

Pergunta: Acha que consegue tratar do telhado?

Resposta: Consigo, mas não sei quando. Estou cheio de trabalho e sem pessoal.

Ou

Pergunta: Quando vem fazer a obra?

Resposta: Por agora não dá. Está a chover.

(e choveu… e choveu… e choveu)

Até que, há uns meses, o tempo começou a dar tréguas. 

E, após reserva prévia, dias, semanas, meses de espera, começamos finalmente a tratar das obras no meu cantinho, das caleiras, do telhado e do arranjo das paredes.

Ouvíamos as notícias sobre Leiria e entendíamos tão bem aquele sofrimento…

Queria muito escrever sobre isso, mas tive de guardar para mim esta espera.

Só alguns amigos mais próximos sabiam.

Não fizemos jantares em casa com a família porque eu vivia exatamente no mesmo lugar onde temos a mesa grande de convívio familiar.


Dezoito longos meses de espera.


Uma vida provisória.

Um quarto provisório.

Até que chegou o dia 20 de junho de 2026. 

O dia que tudo acaba e tudo começa.

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