Há coisas que ninguém nos explica sobre obras em casa

A espera tem um peso que não aparece em lado nenhum. Nem nos orçamentos, nem nas conversas rápidas com quem nunca passou por isto. Mas está lá. Todos os dias. Instala-se devagar.

Não é só o pó. Não é só o barulho. Não é só o dinheiro. 

É a espera. A merda da espera que as coisas aconteçam. 

Tudo começa como uma expectativa bonita:
“Vai ficar tão lindo!”
“Vai valer a pena.”
“Está quase.”

E depois… o “quase” começa a alongar-se. 

Os dias passam. As respostas não chegam. Os silêncios aumentam. E, de repente, já não é só sobre a obra. É sobre aquilo que representa.

Para mim, este sótão não é só um espaço. É o meu espaço. O meu ninho. 

É o sítio onde eu imagino a paz, o foco, o silêncio. E talvez uma versão mais adulta de mim.

Talvez seja por isso que está a custar tanto esperar.

Porque não estou só à espera de paredes novas ou de um telhado terminado. Estou à espera de um lugar onde eu sinto que a minha vida pode avançar. E isso pesa.

Há dias em que me sinto tranquila, confiante, quase rendida ao tempo. E há outros em que o meu coração acelera sem razão aparente. Como se tudo estivesse parado. Como se eu estivesse parada.

E a verdade é esta: esperar cansa.

Cansa emocionalmente. Cansa mentalmente. Cansa aquele tipo de cansaço que não se resolve com descanso. Porque não depende de mim. E talvez seja essa a parte mais difícil de aceitar.

Eu estou habituada a fazer. A resolver. A avançar. Mas aqui… não posso fazer mais nada. Aqui, só posso esperar. E confiar.

Tenho aprendido que há fases da vida em que não se constrói com ação. Constrói-se com paciência. Mesmo quando tudo em nós quer o contrário. Mesmo quando apetece acelerar o tempo, ligar mais uma vez, exigir respostas, fazer barulho só para sentir controlo.

Mas crescer também é isto: saber ficar; saber esperar. 


Mesmo quando não queremos. Mesmo quando dói um bocadinho. Muito. Mesmo quando choramos no escuro e rezamos para que o tempo passe depressa e as respostas cheguem. 

Este sótão ainda não está pronto. Mas eu estou a mudar enquanto espero. E talvez essa seja a verdadeira obra no meio disto tudo. ❤

Com amor, 
Ana

Estar perto nem sempre é estar bem

Nem toda a proximidade faz bem. Há relações que nos deixam mais cansadas do que nutridas. Há conversas que pesam mais do que aliviam. E há presenças que, mesmo sendo próximas, não são seguras.



Às vezes, o que mais nos prende é aquilo que já conhecemos. Relações antigas. Dinâmicas repetidas. Formas de estar que parecem normais, só porque sempre foram assim. E não são as melhores. Nem nos fazem bem. 

Mas o hábito não é sinónimo de bem-estar. E o conforto, às vezes, esconde desgaste.

Não precisei de grandes conflitos para perceber isto. Foi tudo natural e silencioso.

Com naturalidade, comecei a afastar-me de certas conversas. Dei por mim a escolher melhor onde coloco a minha energia. A não estar sempre disponível. Sem explicações longas. Sem necessidade de justificar tudo. Só com mais consciência.

Nem todas as pessoas que entram na nossa vida são para ficar da mesma forma.

Há ligações que fazem sentido numa fase. E que, mais tarde, já não acompanham quem nos estamos a tornar. E está tudo bem. ❤

Hoje olho para a proximidade de forma diferente. Porque nem toda a proximidade é saudável.
E aprender a reconhecer isso foi uma das formas mais honestas de me cuidar.

Com amor, 
Ana 

Nem tudo precisa de ser transformação

Parece que vivemos com a ideia de que temos sempre de evoluir. Temos de ser mais conscientes. Mais produtivas. Mais alinhadas. Mais tudo. Mais qualquer coisa.


Tenho percebido que nem todos os momentos são para crescer. Alguns são para integrar. Para ficar.

Para simplesmente viver aquilo que já é. Porque repetir também pode ser saudável. A rotina pode ser uma coisa boa. 

Há dias que são parecidos. Há ritmos que se repetem. Há pequenas rotinas que voltam. 

Agora vejo beleza nisso. Nessa repetição que acalma. Nessa previsibilidade que sustenta. Na vida que não precisa de estar sempre a acontecer para ser válida.

Não me sinto parada. Estou enraizada. E esta foi talvez a minha maior mudança nos últimos tempos.

Perceber que não estou parada. Que estou enraizada. Estou mais presente. Mais consciente do que já tenho. Menos ansiosa por aquilo que ainda não é. E isso trouxe-me conforto. Um conforto silencioso. Sem euforia. 

A tal leveza que sempre sonhei em sentir. Começo a senti-la agora. 

Talvez crescer não seja estar sempre a mudar. Talvez seja, às vezes, ficar exatamente onde estamos… e estar bem com isso. ❤

Com amor, 
Ana 

Nem tudo o que somos precisa de estar acessível ao mundo

Tenho pensado muito sobre aquilo que partilho e aquilo que não partilho. E muitas vezes já escrevi sobre "quem somos realmente quando ninguém está a ver". 

Ora, eu estou a apaixonar-me pela minha versão que ninguém vê. 


Durante muito tempo, essa linha era pouco clara para mim. Não porque não soubesse o que sentia, mas porque sentia que tudo podia ser dito. Como se a partilha fosse sempre um ato de verdade.

Hoje vejo de forma completamente diferente. Nem tudo precisa de estar visível. Nem tudo o que somos precisa de estar acessível ao mundo.

Há partes da vida que são mais silenciosas. Mais frágeis. Mais nossas. E não é por não serem importantes que não aparecem. É precisamente por o serem. 

Escolher também é cuidar. E eu comecei a perceber que escolher o que mostro é uma forma de me cuidar.

Não é criar distância. É criar espaço. Espaço para viver sem interrupção. Sem ter de transformar tudo em palavras. Sem ter de traduzir cada momento. Porque a presença não precisa de provas de nada. 

Nem tudo o que é real precisa de ser visto. Há uma presença que não se explica. Há uma vida que acontece fora das palavras. E isso não a torna menor. Torna-a mais inteira.

Tenho escolhido deixar algumas coisas fora deste espaço. Não por falta de confiança. Mas por excesso de respeito. Por mim, pelo meu tempo, pelo que ainda está a crescer. E curiosamente… nada disso não me afastou. Aproximou-me. De mim. Do que sinto. Do que quero construir. Porque nem tudo o que eu sou está aqui. E isso não diminui este espaço. Só o torna mais verdadeiro.

Com amor, 
Ana, a verdadeira

Há coisas que só precisam de ser vividas

Há partes da vida que ficam mais bonitas quando não são tocadas por muitos olhares.

Tenho vivido momentos simples. Alguns mais leves. Outros mais confusos. Outros bem profundos. E, pela primeira vez, não senti necessidade de os explicar.


 
Fiquei com eles. E isso, surpreendentemente, trouxe-me calma.

Talvez crescer seja isto também.

Nem tudo precisa de ser entendido pelos outros. Há coisas que só precisam de ser vividas. Não expostas. Não partilhadas. Só vividas. 

E, por agora, isso chega.

Com amor, 
Ana

Agora sei que partilhar não é expor tudo | Sobre crescer

Aprendi - e ainda estou a aprender - que posso ser honesta e escrever sobre tudo e mais alguma coisa sem me despir completamente. Posso escrever com alma sem entregar tudo.

Este espaço sempre foi verdadeiro. E continua a ser. Mas verdade não significa exposição total.

Há coisas que agora guardo. Não por medo. Mas por cuidado.


Porque são minhas. E porque há uma diferença muito grande entre partilhar e entregar-me por completo ao olhar dos outros. 

A ausência também faz parte. E estar mais ausente também foi uma forma de presença. Presença na minha vida. No meu corpo. Nas minhas escolhas.

Nem sempre preciso de estar aqui para estar ligada a este espaço.

Às vezes preciso de sair dele. Para poder voltar com mais verdade. E acho que isso também faz parte de crescer.

A Almofada Voadora continua a ser um lugar seguro. Mas agora é também um lugar com limites.

E esses limites não afastam. Protegem.

Vou continuar a escrever. A partilhar. A criar. Mas a partir de um lugar mais calmo. Mais consciente. Mais meu.

Por isso, se estás por aqui, obrigada. Mesmo quando não escrevo, este espaço continua vivo, porque tu estás desse lado. E eu também estou aqui.

Só que agora, com mais silêncio. E com mais intenção.

Com amor, 
Ana

Nem tudo o que é meu é para ser mostrado

Tenho estado mais ausente. E não foi por falta de coisas para dizer. Foi, talvez pela primeira vez, por aprender a não dizer tudo.

Houve um tempo em que eu sentia que precisava de partilhar para existir. Como se o que não fosse dito não fosse real. Como se o silêncio fosse vazio. Hoje já não sinto isso. Bem pelo contrário. 

Hoje percebo que há partes da vida que crescem melhor no silêncio. Que há momentos que não precisam de testemunhas. E que nem tudo o que é bonito precisa de ser mostrado.

Tenho vivido coisas minhas. Coisas simples, mas importantes. Tenho tido dias em que estou mais presente na vida real e fora das redes. Momentos em que escolho ficar comigo, em vez de correr para fora.

E isso mudou completamente a forma como escrevo.