Nem tudo o que somos precisa de estar acessível ao mundo

Tenho pensado muito sobre aquilo que partilho e aquilo que não partilho. E muitas vezes já escrevi sobre "quem somos realmente quando ninguém está a ver". 

Ora, eu estou a apaixonar-me pela minha versão que ninguém vê. 


Durante muito tempo, essa linha era pouco clara para mim. Não porque não soubesse o que sentia, mas porque sentia que tudo podia ser dito. Como se a partilha fosse sempre um ato de verdade.

Hoje vejo de forma completamente diferente. Nem tudo precisa de estar visível. Nem tudo o que somos precisa de estar acessível ao mundo.

Há partes da vida que são mais silenciosas. Mais frágeis. Mais nossas. E não é por não serem importantes que não aparecem. É precisamente por o serem. 

Escolher também é cuidar. E eu comecei a perceber que escolher o que mostro é uma forma de me cuidar.

Não é criar distância. É criar espaço. Espaço para viver sem interrupção. Sem ter de transformar tudo em palavras. Sem ter de traduzir cada momento. Porque a presença não precisa de provas de nada. 

Nem tudo o que é real precisa de ser visto. Há uma presença que não se explica. Há uma vida que acontece fora das palavras. E isso não a torna menor. Torna-a mais inteira.

Tenho escolhido deixar algumas coisas fora deste espaço. Não por falta de confiança. Mas por excesso de respeito. Por mim, pelo meu tempo, pelo que ainda está a crescer. E curiosamente… nada disso não me afastou. Aproximou-me. De mim. Do que sinto. Do que quero construir. Porque nem tudo o que eu sou está aqui. E isso não diminui este espaço. Só o torna mais verdadeiro.

Com amor, 
Ana, a verdadeira

Há coisas que só precisam de ser vividas

Há partes da vida que ficam mais bonitas quando não são tocadas por muitos olhares.

Tenho vivido momentos simples. Alguns mais leves. Outros mais confusos. Outros bem profundos. E, pela primeira vez, não senti necessidade de os explicar.


 
Fiquei com eles. E isso, surpreendentemente, trouxe-me calma.

Talvez crescer seja isto também.

Nem tudo precisa de ser entendido pelos outros. Há coisas que só precisam de ser vividas. Não expostas. Não partilhadas. Só vividas. 

E, por agora, isso chega.

Com amor, 
Ana

Agora sei que partilhar não é expor tudo | Sobre crescer

Aprendi - e ainda estou a aprender - que posso ser honesta e escrever sobre tudo e mais alguma coisa sem me despir completamente. Posso escrever com alma sem entregar tudo.

Este espaço sempre foi verdadeiro. E continua a ser. Mas verdade não significa exposição total.

Há coisas que agora guardo. Não por medo. Mas por cuidado.


Porque são minhas. E porque há uma diferença muito grande entre partilhar e entregar-me por completo ao olhar dos outros. 

A ausência também faz parte. E estar mais ausente também foi uma forma de presença. Presença na minha vida. No meu corpo. Nas minhas escolhas.

Nem sempre preciso de estar aqui para estar ligada a este espaço.

Às vezes preciso de sair dele. Para poder voltar com mais verdade. E acho que isso também faz parte de crescer.

A Almofada Voadora continua a ser um lugar seguro. Mas agora é também um lugar com limites.

E esses limites não afastam. Protegem.

Vou continuar a escrever. A partilhar. A criar. Mas a partir de um lugar mais calmo. Mais consciente. Mais meu.

Por isso, se estás por aqui, obrigada. Mesmo quando não escrevo, este espaço continua vivo, porque tu estás desse lado. E eu também estou aqui.

Só que agora, com mais silêncio. E com mais intenção.

Com amor, 
Ana

Nem tudo o que é meu é para ser mostrado

Tenho estado mais ausente. E não foi por falta de coisas para dizer. Foi, talvez pela primeira vez, por aprender a não dizer tudo.

Houve um tempo em que eu sentia que precisava de partilhar para existir. Como se o que não fosse dito não fosse real. Como se o silêncio fosse vazio. Hoje já não sinto isso. Bem pelo contrário. 

Hoje percebo que há partes da vida que crescem melhor no silêncio. Que há momentos que não precisam de testemunhas. E que nem tudo o que é bonito precisa de ser mostrado.

Tenho vivido coisas minhas. Coisas simples, mas importantes. Tenho tido dias em que estou mais presente na vida real e fora das redes. Momentos em que escolho ficar comigo, em vez de correr para fora.

E isso mudou completamente a forma como escrevo.

Um sonho realizado

Era uma vez uma menina que tinha um sonho. 

Sonhava em viajar de comboio por toda a bota de Itália. Comer massa até não conseguir apertar as calças. Conhecer as catedrais. Entrar nas igrejas. Beber prosecco nas refeições. Ouvir as pessoas a falar alto como se estivessem zangadas, mas afinal são só assim. Conhecer toda a cultura italiana. A menina queria conhecer tudo.

Em 2026, essa menina começou a viagem. Essa menina sou eu. Comecei por Bergamo. Fui para lá de avião. Depois, fiz a primeira viagem de comboio até Milão. E começa aqui a minha história de amor com Itália.



Quando este artigo for publicado, já estarei em Itália

A realizar o sonho da minha vida, de colocar um pezinho em território italiano. Decidi publicar só depois, para ninguém agoirar.

Bergamo - Foto Pixabay 

Ora então, hoje ainda é segunda-feira (16 de fevereiro) e eu estou cheia de medos, ansiedades e super empolgada com esta viagem.

Desde toda a minha vida quis conhecer a Itália. Vi o filme (em vários idiomas e li o livro também em várias versões) do Eat Pray Love, da querida Gilbert, desde há muitos anos e é uma marca da minha vida de alma viajante que nunca sabe onde é o seu lugar para pousar.

Posto isto, estou em Viana a viver e a trabalhar, mas não quis deixar esta alma sufocar,então, tomei a decisão de iniciar a minha jornada de viagens a partir de 2026.

Depois de anos e anos a sair de um emprego para outro e a viajar apenas em trabalho, tomei a liberdade de me deixar disso e focar-me nas férias.

Férias. Essa coisa que eu não sei o que é e apenas fui uma vez em toda a minha vida - a Marrocos. Já conheço também grande parte de Espanha devido às viagens Andorra-Portugal. Mas nunca parei a fundo, para conhecer e saborear a arte de ser turista.

As viagens de avião eram apenas para Barcelona (quando vivia em Andorra). Tive a oportunidade de passar duas semanas em Marrocos e, por ter perdido o voo, descobri o lado humano e não turístico de Marrocos e amei a experiência.

Para mim, férias são momentos de conhecer novas culturas, novas línguas e novas pessoas. Isso sim, são férias. Não é trabalho ou contactos profissionais.

Pois então, no dia que escrevo este texto, estou em pulgas. Faltam 4 dias.

Os sonhos realizam-se, mesmo quando achares que é impossível ou nunca conseguirás algo que queres muito… espera! Porque a vida proporciona tudo exatamente como tem de ser. Demore o que demorar. Sempre chega.

Com amor, 
Ana (desde Itália)

O cansaço emocional de comparar a nossa vida com a dos outros

Ninguém acorda de manhã a pensar: “Hoje vou sentir-me insuficiente.” Mas basta abrir as redes sociais e, sem darmos por isso, começamos a plantar filmes parvos na nossa cabeça. 


— Ela já tem a vida resolvida
— Ela é mais feliz
— Eu estou tão atrasada
— Eu devia estar noutro ponto

O problema não é ver a vida dos outros. O problema é esquecermo-nos de que estamos a ver recortes, e não o filme inteiro.

Ninguém publica as crises, as dúvidas às três da manhã, o medo de falhar ou os dias em que não sabem o que estão a fazer com a própria vida.

A comparação faz-nos esquecer uma coisa essencial: toda a gente está a improvisar em alguma área da vida. Sim, mesmo aquelas pessoas que parecem certas e perfeitas em tudo. 

Num mês que insiste em medir o amor pelos outros, talvez esteja na hora de voltares a ti.

De te tratares com a mesma gentileza que ofereces a quem admiras.

Fica a dica! 

Com amor, 
Ana