Corria o ano 2023 e, graças a uma pessoa a quem serei eternamente grata por toda a aprendizagem, saí de novo de Viana. E lá fui eu… viver para Cascais.
Cascais é um mundo completamente diferente de tudo o que eu já vi e vivi.
Foi lá que comecei a observar estilos de vida, ambições e formas de encarar o sucesso muito diferentes das minhas. Foi lá que comecei a perceber uma coisa que nunca tinha questionado.
Durante muito tempo associei sucesso àquilo que era visível. Ao dinheiro. À roupa. À imagem. Ao estatuto.
Mas quanto mais observava as pessoas à minha volta, mais percebia que as verdadeiramente seguras de si eram quase invisíveis.
Não precisavam de provar nada a ninguém.
E esta foi uma lição que me acompanhou muito depois de sair de lá.
Apercebi-me que as pessoas pseudo-ricas ostentativas não me faziam bem.
Eu sou vaidosa, mas não sou de manias nem luxos. Nunca fui e nunca serei. Mas gosto de me vestir bem. Cuido de mim e arranjo-me porque sim. Não porque quero mostrar seja o que for.
Ao longo do tempo fui aprendendo a ser discreta, cuidada, vaidosa, mais dona de mim.
Sabes quando queres sentir te bem, mas sem querer parecer sexy ou provocadora? Pois foi isso que aprendi.
A essência brilha seja qual for o tipo de roupa ou a marca da bolsa.
E foi nessa altura que comecei a olhar para a minha própria vida de forma diferente.
Para o dinheiro.
Para as minhas escolhas.
Para a casa que tinha deixado para trás.
E sem perceber, comecei a preparar-me para regressar.
Ainda não sabia.
Mas o caminho de volta já tinha começado.






