É curioso como a vida consegue juntar duas realidades tão diferentes na mesma casa.
Lá fora preparava-se o Natal.
Cá dentro, eu preparava-me para recomeçar.
A árvore de Natal foi substituída por um sofá-cama e uma cómoda para eu viver provisoriamente. Montámos um pequeno quarto na sala de estar para eu poder ficar – supostamente – uns (poucos) meses até se resolver a obra.
Permiti-me aceitar a minha condição e finalmente pude descansar. Mas sobre esse assunto já falei aqui, por isso não me vou repetir.
Abreviando os artigos já publicados anteriormente, arranjei emprego e a saga das obras dá início.
E aqui segue toda a verdade, incluindo a transcrição de alguns diálogos destes 18 meses:
Pergunta: Tem interesse em fazer esta obra?
Resposta: Claro que tenho, mas estou sem tempo.
Ou
Pergunta: Acha que consegue tratar do telhado?
Resposta: Consigo, mas não sei quando. Estou cheio de trabalho e sem pessoal.
Ou
Pergunta: Quando vem fazer a obra?
Resposta: Por agora não dá. Está a chover.
(e choveu… e choveu… e choveu)
Até que, há uns meses, o tempo começou a dar tréguas.
E, após reserva prévia, dias, semanas, meses de espera, começamos finalmente a tratar das obras no meu cantinho, das caleiras, do telhado e do arranjo das paredes.
Ouvíamos as notícias sobre Leiria e entendíamos tão bem aquele sofrimento…
Queria muito escrever sobre isso, mas tive de guardar para mim esta espera.
Só alguns amigos mais próximos sabiam.
Não fizemos jantares em casa com a família porque eu vivia exatamente no mesmo lugar onde temos a mesa grande de convívio familiar.

Uma vida provisória.
Um quarto provisório.
Até que chegou o dia 20 de junho de 2026.
Ouvíamos as notícias sobre Leiria e entendíamos tão bem aquele sofrimento…
Queria muito escrever sobre isso, mas tive de guardar para mim esta espera.
Só alguns amigos mais próximos sabiam.
Não fizemos jantares em casa com a família porque eu vivia exatamente no mesmo lugar onde temos a mesa grande de convívio familiar.

Dezoito longos meses de espera.
Uma vida provisória.
Um quarto provisório.
Até que chegou o dia 20 de junho de 2026.
O dia que tudo acaba e tudo começa.

















