Permiti que a casa – a minha parte da casa – se destruísse...

 ... E mal eu sabia que eu também me estava a destruir aos poucos. 


O que Cascais me ensinou sobre abundância

Corria o ano 2023 e, graças a uma pessoa a quem serei eternamente grata por toda a aprendizagem, saí de novo de Viana. E lá fui eu… viver para Cascais.


Cascais é um mundo completamente diferente de tudo o que eu já vi e vivi.

Foi lá que comecei a observar estilos de vida, ambições e formas de encarar o sucesso muito diferentes das minhas. Foi lá que comecei a perceber uma coisa que nunca tinha questionado.

Durante muito tempo associei sucesso àquilo que era visível. Ao dinheiro. À roupa. À imagem. Ao estatuto.

Mas quanto mais observava as pessoas à minha volta, mais percebia que as verdadeiramente seguras de si eram quase invisíveis.

Não precisavam de provar nada a ninguém.

E esta foi uma lição que me acompanhou muito depois de sair de lá.

Apercebi-me que as pessoas pseudo-ricas ostentativas não me faziam bem.

Eu sou vaidosa, mas não sou de manias nem luxos. Nunca fui e nunca serei. Mas gosto de me vestir bem. Cuido de mim e arranjo-me porque sim. Não porque quero mostrar seja o que for. 


Ao longo do tempo fui aprendendo a ser discreta, cuidada, vaidosa, mais dona de mim.


Sabes quando queres sentir te bem, mas sem querer parecer sexy ou provocadora? Pois foi isso que aprendi.

A essência brilha seja qual for o tipo de roupa ou a marca da bolsa.

E foi nessa altura que comecei a olhar para a minha própria vida de forma diferente.

Para o dinheiro.

Para as minhas escolhas.

Para a casa que tinha deixado para trás.

E sem perceber, comecei a preparar-me para regressar.

Ainda não sabia.

Mas o caminho de volta já tinha começado.

Cascais 2023/2024


Chegou finalmente a altura de contar tudo

Não é por acaso que este blog esteve calado. Não é coincidência todo este silêncio, as palavras curtas ou as fotografias enigmáticas.


Estou ansiosa por vos contar tudo o que tive de manter em silêncio nos últimos tempos.



Estive a preparar uma nova entrada. E chegou finalmente a altura de contar tudo. ❤

Como sabem, estive em Lisboa durante um ano. 


Aprendi muito a nível profissional, tive dois empregos, descobri que a abundância é muitas vezes confundida com consumismo e ostentação e, acima de tudo, reconstruí a minha vida por completo.

Fui para Lisboa com um objetivo muito claro: ganhar dinheiro.

Ambiciosa? Sim, sou.

Mas por que não o ser?

Eu tinha um foco. Queria resolver as minhas finanças e juntar dinheiro para uma obra que é sonhada há seis anos.

Em 2020 remodelámos a nossa casa em Viana. 


Fizemos, em família, uma obra enorme que nos obrigou a viver fora durante alguns meses para que tudo pudesse ficar novo.

Quando regressámos, a parte de baixo da casa estava pronta.

Ficou linda.

Ficou nossa.

Ficou o nosso lar.

Com o passar do tempo, começou a chover para dentro de casa. O meu sótão ganhou humidade e tornou-se inabitável.

Mas, nessa altura, eu estava longe.


Tinha planos de não viver em Viana, de não viver naquela casa e de continuar durante mais algum tempo entre viagens, experiências e empregos fora da minha cidade.

Basicamente, não quis saber.

Enquanto perseguia novos projetos, novas experiências e novas oportunidades, deixei aquela parte da casa para trás.

Na altura parecia apenas um sótão.

Hoje sei que era muito mais do que isso.

Mas essa descoberta ainda estava longe de acontecer.


Obra 2020

Cascais 2023/2024



Este é o primeiro artigo sobre o tema

Casa. 
Dois anos de espera. 
Sofá.
Sala. 
Falta de privacidade. 
Apoio da família.
Stress. 
Ansiedade. 
Saudade da independência. 
Choro escondido. 
Sorrir para o mundo. 
Rezar na cama para Deus. 

Só Deus sabe. 
Converso com Ele todos os dias. 
Há dois anos. 
Religiosamente. 
Agradeço. 
Entrego. 
Peço. 
Confio. 

Chegou a hora. 
Vai começar agora. 
A minha vida está finalmente 
A começar. 
Obrigada. 

Madrid - a prova

Uma viagem muito especial a Madrid

De prenda do dia do pai, ofereci-lhe uma viagem de pai e filha até Madrid. Tudo incluído (viagem, hotel e visitas a museus). 

Foi maravilhoso partilhar esta viagem com ele. Andamos imenso, comemos muito (tapas tapas e mais tapas) e andamos ainda mais. Não sei como foi possível engordar mesmo com tanto quilómetro em cima dos meus pés. Mas sim, engordei 😳

Fomos ao Estádio do Real Madrid, ao Museu do Prado e ao Reina Sofia. 

O Museu do Prado é gigante. E é só quadros e mais quadros de gente muito feia. 
Mas verdade seja dita, em vez das fotografias que hoje temos de forma quase instantânea, antigamente os retratos eram belíssimos. Enormes e detalhados. Coloridos e com uma perfeição tal, que se algo corresse mal, ia logo uma cabeça pelo ar. 

No Reina Sofia vi o meu amor de toda a vida. Salvador Dalí e a Menina à janela. O meu quadro favorito. O quadro que me inspira a escrever histórias de amores impossíveis com final feliz. E vi outros tantos dele que me encheram os olhos de lágrimas e o coração a transbordar de orgulho por estar ao lado do meu pai a viver isto tudo. 

No meio disto tudo... importa dizer que a mamã ficou em casa porque quis. Eu pensava que ela precisava de um tempo para ela. Sem responsabilidades e horas para fazer comer, arrumar e ter tudo como ela gosta. Afinal não gosta. 

Percebeu que o que a faz feliz é mesmo cuidar de nós e estar ocupada e stressada com tempos, horas e roupa para lavar. 

Tenho a melhor família do mundo. Perfeitamente imperfeita. E perfeitamente maravilhosa. 

Que orgulho! 
Quem não gosta, que ponha na beira do pratinho. 

Com amor,
Ana 

Estou numa fase estranha: nem perdida, nem completamente encontrada

Há fases da vida que não sabemos muito bem explicar.


Não estamos mal. Mas também não estamos exatamente bem.

Não estamos perdidas. Mas também não sentimos que já chegámos.

Estamos no meio. E o meio é estranho.



Porque não tem a intensidade do caos, mas também ainda não tem a paz da chegada.

É um espaço mais silencioso. Mais lento. Mais indefinido. E isso, às vezes, confunde. E enerva.

Queremos respostas. Queremos certezas. Queremos saber “o que vem a seguir”. Queremos tudo. Mas não há. Só há este momento. Esta versão. Ainda em construção. 


E, por muito tempo, sentir isso incomodava-me.

Sentia que devia já saber. Que devia já estar mais à frente. Mais resolvida. Mais “pronta”.
Mas a verdade é que não há um momento em que tudo fica pronto. Há fases. E esta é uma delas.

Uma fase em que já não sou quem fui, mas ainda estou a tornar-me quem vou ser.
E está tudo certo com isso.

Hoje começo a ver este caminho do “meio” de outra forma. Não como falta de direção. Mas como espaço para respirar.

Para ajustar. Para ouvir. Para crescer sem pressa. Sem ter de provar nada a ninguém.
Nem sequer a mim.

Porque talvez a vida não seja sobre chegar rapidamente a algum lado. Talvez seja sobre aprender a estar mesmo quando ainda não sabemos bem onde estamos.

E tu? Consegues aceitar as fases em que ainda não tens todas as respostas? 
🤍

Com amor, 
Ana