Este é o primeiro artigo sobre o tema

Casa. 
Dois anos de espera. 
Sofá.
Sala. 
Falta de privacidade. 
Apoio da família.
Stress. 
Ansiedade. 
Saudade da independência. 
Choro escondido. 
Sorrir para o mundo. 
Rezar na cama para Deus. 

Só Deus sabe. 
Converso com Ele todos os dias. 
Há dois anos. 
Religiosamente. 
Agradeço. 
Entrego. 
Peço. 
Confio. 

Chegou a hora. 
Vai começar agora. 
A minha vida está finalmente 
A começar. 
Obrigada. 

Madrid - a prova

Uma viagem muito especial a Madrid

De prenda do dia do pai, ofereci-lhe uma viagem de pai e filha até Madrid. Tudo incluído (viagem, hotel e visitas a museus). 

Foi maravilhoso partilhar esta viagem com ele. Andamos imenso, comemos muito (tapas tapas e mais tapas) e andamos ainda mais. Não sei como foi possível engordar mesmo com tanto quilómetro em cima dos meus pés. Mas sim, engordei 😳

Fomos ao Estádio do Real Madrid, ao Museu do Prado e ao Reina Sofia. 

O Museu do Prado é gigante. E é só quadros e mais quadros de gente muito feia. 
Mas verdade seja dita, em vez das fotografias que hoje temos de forma quase instantânea, antigamente os retratos eram belíssimos. Enormes e detalhados. Coloridos e com uma perfeição tal, que se algo corresse mal, ia logo uma cabeça pelo ar. 

No Reina Sofia vi o meu amor de toda a vida. Salvador Dalí e a Menina à janela. O meu quadro favorito. O quadro que me inspira a escrever histórias de amores impossíveis com final feliz. E vi outros tantos dele que me encheram os olhos de lágrimas e o coração a transbordar de orgulho por estar ao lado do meu pai a viver isto tudo. 

No meio disto tudo... importa dizer que a mamã ficou em casa porque quis. Eu pensava que ela precisava de um tempo para ela. Sem responsabilidades e horas para fazer comer, arrumar e ter tudo como ela gosta. Afinal não gosta. 

Percebeu que o que a faz feliz é mesmo cuidar de nós e estar ocupada e stressada com tempos, horas e roupa para lavar. 

Tenho a melhor família do mundo. Perfeitamente imperfeita. E perfeitamente maravilhosa. 

Que orgulho! 
Quem não gosta, que ponha na beira do pratinho. 

Com amor,
Ana 

Estou numa fase estranha: nem perdida, nem completamente encontrada

Há fases da vida que não sabemos muito bem explicar.


Não estamos mal. Mas também não estamos exatamente bem.

Não estamos perdidas. Mas também não sentimos que já chegámos.

Estamos no meio. E o meio é estranho.



Porque não tem a intensidade do caos, mas também ainda não tem a paz da chegada.

É um espaço mais silencioso. Mais lento. Mais indefinido. E isso, às vezes, confunde. E enerva.

Queremos respostas. Queremos certezas. Queremos saber “o que vem a seguir”. Queremos tudo. Mas não há. Só há este momento. Esta versão. Ainda em construção. 


E, por muito tempo, sentir isso incomodava-me.

Sentia que devia já saber. Que devia já estar mais à frente. Mais resolvida. Mais “pronta”.
Mas a verdade é que não há um momento em que tudo fica pronto. Há fases. E esta é uma delas.

Uma fase em que já não sou quem fui, mas ainda estou a tornar-me quem vou ser.
E está tudo certo com isso.

Hoje começo a ver este caminho do “meio” de outra forma. Não como falta de direção. Mas como espaço para respirar.

Para ajustar. Para ouvir. Para crescer sem pressa. Sem ter de provar nada a ninguém.
Nem sequer a mim.

Porque talvez a vida não seja sobre chegar rapidamente a algum lado. Talvez seja sobre aprender a estar mesmo quando ainda não sabemos bem onde estamos.

E tu? Consegues aceitar as fases em que ainda não tens todas as respostas? 
🤍

Com amor, 
Ana

Ninguém fala disto: o desconforto de finalmente estar bem

Há uma coisa estranha que acontece quando a vida acalma. E ninguém nos prepara para isso.


Passamos tanto tempo a resolver problemas, a sobreviver, a aguentar… que quando, finalmente, tudo abranda… ficamos desconfortáveis.




Sem motivo aparente. Sem drama. Mas com uma inquietação difícil de explicar.
Como se algo estivesse errado. Mas não está. Está tudo bem. E, mesmo assim… o corpo não acredita.

A mente continua em alerta. À espera de um problema. À espera de uma queda. À espera de voltar ao que era antes.

Porque foi isso que aprendeu. Por demasiado tempo, viver em esforço foi o normal.


O caos era familiar. A ansiedade era constante. O cansaço fazia parte.
E, de repente… silêncio.

Espaço.

Tempo.

Calma.

E isso assusta tanto.

Assusta não ter nada urgente para resolver.


Assusta não estar em modo sobrevivência. Assusta sentir que, desta vez, pode mesmo estar tudo bem.

E é aqui que entra o verdadeiro trabalho. Não é chegar ao “bem”. É saber ficar nele.

Sem sabotar. Sem criar problemas onde não existem. Sem fugir.

Ficar.

Respirar.

Confiar.

Aprender que paz não é ausência de movimento… é ausência de guerra cá dentro.

E isso leva tempo. Mas aprende-se.

Hoje, quando sinto esse desconforto, já não entro em pânico. Reconheço. Acolho. E lembro-me: isto não é perigo. É só novidade.

E tu? Consegues estar bem sem sentir que algo vai correr mal? 
🤍 

Conta-me tudo! 
Com amor, 
Ana 

Há sonhos que só fazem sentido quando paramos de fugir

Sempre pensei que o meu caminho era ir. Só ir. 

Ir para longe.
Mais longe.
Ir mais rápido.
Ir para outro lugar.

Achava que crescer era isso: sair, mudar, procurar. Sempre mais.



E fui. A minha última maluquice levou-me para Cascais.

Fui atrás de uma versão de mim que acreditava que estava noutro sítio.


E não me arrependo.
Aprendi muito.
Cresci.
Transformei-me.

Agora estou de volta.

À minha cidade.
À minha casa.
A mim.

E, pela primeira vez, não senti que estava a voltar atrás.
Senti que estava a chegar.

 IRRECONHECIVEL


Percebi que nem todos os sonhos passam por ir embora.
Alguns passam por ficar.

Ficar onde faz sentido.
Ficar onde há paz.
Ficar onde conseguimos, finalmente… respirar.

Hoje olho para trás e vejo que precisei de ir para perceber que queria ficar.
E está tudo certo com isso.

Porque crescer não é só avançar. Às vezes, crescer é descobrir o nosso lugar. 🤍

E tu? Estás a ir porque queres, ou porque sentes que tens de ir? Comenta aqui o que pensas disso. 

Com amor, 
Ana 

Um exercício simples para quando a tua cabeça não desliga (e o dinheiro pesa)

Eu sei que há dias em que não é o dinheiro que pesa. É o pensamento constante sobre ele.

Vivemos uma fase bem complicada neste momento. Por culpa disso, pensamos sempre no que falta, no que pode acontecer, no “e se…”. E, de repente, já não estamos no presente.

Foi por isso que comecei a criar pequenos momentos de pausa, ou momentos de respirar, como chamo no meu método Almofada Voadora®.



Deixo-te aqui um exercício simples. Daqueles que ajudam mesmo:


🧘‍♀️ O exercício das 3 pausas

Para.

Fecha os olhos por um momento. Não resolvas nada agora.

Respira.

Inspira fundo. Expira devagar. Repete 3 vezes.

Volta.

Pergunta a ti mesma: “O que está realmente a acontecer neste momento?”

Nem sempre conseguimos controlar tudo. Mas conseguimos sempre voltar a nós.

Hoje, já paraste um bocadinho?

Com amor, 
Ana

Ter dinheiro não me trouxe paz. Mas ensinou-me isto

Por muito tempo, achei que o problema da minha vida era simples: falta de dinheiro.

Vivia com medo.
Medo de não conseguir pagar contas.
Medo de imprevistos.
Medo constante.

E dizia para mim mesma: “Quando tiver dinheiro vou finalmente ficar em paz.”

Pois bem. Tive. E não fiquei nada do que imaginava.

Ter dinheiro tirou-me um peso, sim. Mas não apagou o medo. 
Porque o medo não estava na conta bancária. Estava em mim.

Estive meses sem salário. 
E o mundo não acabou.

Mas sabes o que não desapareceu?


Aquela voz no fundo a dizer: “E se isto acaba?”

E é aqui que tudo muda.


Percebi que segurança não é ter dinheiro. É saber lidar com ele. E, mais importante ainda… saber lidar comigo mesma.

Atualmente estou a passar por uma fase completamente diferente do que estava habituada.

A conta já não está como estava. As obras vieram. A vida aconteceu.

E, curiosamente, sinto-me mais tranquila agora do que antes.

Não porque tenha mais dinheiro. Mas porque tenho mais consciência.


Já sei que consigo.

Já sei que, mesmo quando parece que estou a perder controlo. Não estou.

Estou só a viver. E a aprender.

Aprendi que dinheiro ajuda, claro que ajuda.
Mas não resolve tudo.

Não cura o medo.
Não traz paz sozinho.
Não constrói segurança emocional.

Tudo isso, na verdade, constrói-se cá dentro.

E demora. Mas chega.

Hoje continuo a querer estabilidade.
Continuo a querer crescer.
Continuo a querer mais.

Mas já não vivo em pânico. 
E isso, para mim, já é riqueza. 🤍

E tu? A tua relação com o dinheiro é de paz ou de medo? Conta-me! 

Com amor, 
Ana 

Passei meses a ignorar isto… até ser obrigada a parar

A vida não parou. E eu também não. Durante muito tempo, ignorei os sinais. 
Trabalhei 14 horas por dia, todos os dias, com um único objetivo: juntar dinheiro para o meu projeto pessoal.

Até que o meu corpo falou mais alto. O burnout não apareceu de repente.

Deu sinais. Avisou. Eu é que não quis ouvir.

Parei.

E, pela primeira vez em muito tempo, permiti-me fazer algo que não sabia fazer: descansar.
Sem culpa. Sem vergonha. Sem medo.

Quando voltei, estive 4 meses sem salário. E, surpreendentemente… isso não abalou as minhas finanças.

Foi aí que percebi: a liberdade não está em ganhar mais. Está em não viver em pânico constante.

Iniciei medicação para o stress e ansiedade. E, pela primeira vez, não escondi isso de mim mesma. Nem de ninguém. 

Aceitei.

Curei.

Voltei.

Hoje vivo em Viana. Voltei à minha cidade.

A mesma cidade de sempre. Aquela de que reclamo, como uma velha rabugenta, porque nunca há nada… e quando há, é só barulho e confusão. (Sim, sou dessas.)

Mas a verdade?
Não me imagino a viver em mais lado nenhum.

Assumi a minha casa. A minha vida. O meu presente.

Tenho casa própria; o que, hoje em dia, parece quase um milagre antes dos 40. Mas tenho.

Comecei a renová-la. A torná-la minha.
Respeitando quem lá vive, mas construindo o meu espaço dentro dela.

E, no meio disto tudo, percebi uma coisa muito simples: afinal, a vida não parou.

Mesmo nos dias mais difíceis. Mesmo nas quedas. Mesmo quando tudo parecia incerto.
A vida seguiu. E eu também.

Continuo aqui. Mais consciente. Mais forte. E ainda a lutar pelos meus sonhos.

Porque sim, os sonhos realizam-se. Não quando queremos. Mas quando estamos prontas.

O tempo… esse nunca falha. 🤍

E tu, em que fase da tua vida estás agora? Conta-me tudo!

Com amor, 
Ana

A criação de algo bonito - de acordo com a minha evolução pessoal

Por muito tempo, este espaço foi muitas coisas. 

Foi um refúgio. Um lugar de desabafo. Foi um sítio onde eu vinha quando precisava de me encontrar. Mas o tempo passou. Mudou. E eu também mudei.

Hoje, a Almofada Voadora® já não é o que era. De todo. E ainda bem.


Estou mais calma. Mais consciente. Mais verdadeira. Já não sinto necessidade de explicar tudo. Nem de mostrar tudo. Nem de escrever só porque sinto.

Agora escrevo de outra forma. Com mais intenção. Com mais cuidado. Com mais respeito por mim.

Este não é um recomeço no sentido de começar do zero. É um recomeço no sentido de alinhar.

Alinho com quem sou hoje. Com o que quero partilhar. E com aquilo que escolho guardar.

Se estás por aqui, obrigada. Se calhar, este espaço também é para ti.

Com amor, 
Ana 

Isto não devia estar aqui

Talvez apague este artigo. 
Talvez não.
Talvez guarde para sempre o que devia ter sido dito. 
E nunca foi possível dizer. 
Mas ambos sabemos. 
Porque as palavras não valem nada.
Quando se trata de amor verdadeiro.

Talvez não o devesse dizer agora.
Talvez ele até chegue a ler isto.
Mas nada mudará.
Ficará o mesmo silêncio. 
Porque eu sei que o amor não tem voz. 
Ele simplesmente existe. 
Ambos sabemos que existe. 

E passaram 20 anos. Vinte anos! 
E se eu pudesse...

☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆☆ 

Se eu pudesse voltar atrás 20 anos... Diria àquela menina que iria conhecer a sua pessoa. 
Pediria que não o largasse. 
Que não procurasse crescer e ver outras coisas. 
Porque de certeza que poderia fazer tudo com ele. 

Porque tu foste educada a ter valores tão teus e tão sérios com base na tua experiência. 
Porque mesmo naquela altura... já sabias que nunca irias magoar ninguém de propósito. Sabias que podias amar incondicionalmente sem magoar, sem trair, sem esconder. 

Porque na verdade nunca magoaste de propósito.
Nunca traíste.
Nunca escondeste. 
Mesmo quando doía falavas sempre. Mas sempre a verdade. 

Então... apesar de teres passado por tudo o que passaste nestes últimos 20 anos... podias ter feito tudo - mas tudo mesmo - com ele. 

Ele era - e é - o homem da tua vida. Sempre. E para sempre. 

E tu foste tão burra! 

Já sabemos que nunca seríamos o que somos agora se não passássemos pelo que passámos e aprendessemos o que aprendemos. 
Eu sei disso tudo. 

Mas sei agora que por mais voltas que eu dê ao mundo; por mais viagens, empregos, experiências loucas que ajudam a esconder a dor; por mais desculpas... Ele é a minha pessoa. 

E podem passar mais 20 anos...

Que eu vou continuar a seguir com a minha vida e a amá-lo exatamente como quando o vi naquela rua cheia de martelos e alhos e pessoas que já não sei quem são porque só tive olhos para aquela pessoa que nunca mais será minha. Nunca mais ficará comigo. Nunca mais vai cometer loucuras comigo. Nunca mais me vai ensinar a ser adulta. Porque a vida é assim mesmo. 

E saber aceitar o nosso destino - por mais que não concordemos com ele - é a forma mais bonita de viver. 

Ganhámos outra visão das coisas. 
E está tudo bem. 

São 2 da manhã de uma terça feira a seguir à Páscoa. Sou uma mulher que assume o erro, aceita-o e larga-o. Mas nunca vou deixar de o amar. 
Vou amá-lo sozinha. E feliz. Sempre e para sempre. 

Com amor, 
Ana 

Há coisas que ninguém nos explica sobre obras em casa

A espera tem um peso que não aparece em lado nenhum. Nem nos orçamentos, nem nas conversas rápidas com quem nunca passou por isto. Mas está lá. Todos os dias. Instala-se devagar.

Não é só o pó. Não é só o barulho. Não é só o dinheiro. 

É a espera. A merda da espera que as coisas aconteçam. 

Tudo começa como uma expectativa bonita:
“Vai ficar tão lindo!”
“Vai valer a pena.”
“Está quase.”

E depois… o “quase” começa a alongar-se. 

Os dias passam. As respostas não chegam. Os silêncios aumentam. E, de repente, já não é só sobre a obra. É sobre aquilo que representa.

Para mim, este sótão não é só um espaço. É o meu espaço. O meu ninho. 

É o sítio onde eu imagino a paz, o foco, o silêncio. E talvez uma versão mais adulta de mim.

Talvez seja por isso que está a custar tanto esperar.

Porque não estou só à espera de paredes novas ou de um telhado terminado. Estou à espera de um lugar onde eu sinto que a minha vida pode avançar. E isso pesa.

Há dias em que me sinto tranquila, confiante, quase rendida ao tempo. E há outros em que o meu coração acelera sem razão aparente. Como se tudo estivesse parado. Como se eu estivesse parada.

E a verdade é esta: esperar cansa.

Cansa emocionalmente. Cansa mentalmente. Cansa aquele tipo de cansaço que não se resolve com descanso. Porque não depende de mim. E talvez seja essa a parte mais difícil de aceitar.

Eu estou habituada a fazer. A resolver. A avançar. Mas aqui… não posso fazer mais nada. Aqui, só posso esperar. E confiar.

Tenho aprendido que há fases da vida em que não se constrói com ação. Constrói-se com paciência. Mesmo quando tudo em nós quer o contrário. Mesmo quando apetece acelerar o tempo, ligar mais uma vez, exigir respostas, fazer barulho só para sentir controlo.

Mas crescer também é isto: saber ficar; saber esperar. 


Mesmo quando não queremos. Mesmo quando dói um bocadinho. Muito. Mesmo quando choramos no escuro e rezamos para que o tempo passe depressa e as respostas cheguem. 

Este sótão ainda não está pronto. Mas eu estou a mudar enquanto espero. E talvez essa seja a verdadeira obra no meio disto tudo. ❤

Com amor, 
Ana

Estar perto nem sempre é estar bem

Nem toda a proximidade faz bem. Há relações que nos deixam mais cansadas do que nutridas. Há conversas que pesam mais do que aliviam. E há presenças que, mesmo sendo próximas, não são seguras.



Às vezes, o que mais nos prende é aquilo que já conhecemos. Relações antigas. Dinâmicas repetidas. Formas de estar que parecem normais, só porque sempre foram assim. E não são as melhores. Nem nos fazem bem. 

Mas o hábito não é sinónimo de bem-estar. E o conforto, às vezes, esconde desgaste.

Não precisei de grandes conflitos para perceber isto. Foi tudo natural e silencioso.

Com naturalidade, comecei a afastar-me de certas conversas. Dei por mim a escolher melhor onde coloco a minha energia. A não estar sempre disponível. Sem explicações longas. Sem necessidade de justificar tudo. Só com mais consciência.

Nem todas as pessoas que entram na nossa vida são para ficar da mesma forma.

Há ligações que fazem sentido numa fase. E que, mais tarde, já não acompanham quem nos estamos a tornar. E está tudo bem. ❤

Hoje olho para a proximidade de forma diferente. Porque nem toda a proximidade é saudável.
E aprender a reconhecer isso foi uma das formas mais honestas de me cuidar.

Com amor, 
Ana 

Nem tudo precisa de ser transformação

Parece que vivemos com a ideia de que temos sempre de evoluir. Temos de ser mais conscientes. Mais produtivas. Mais alinhadas. Mais tudo. Mais qualquer coisa.


Tenho percebido que nem todos os momentos são para crescer. Alguns são para integrar. Para ficar.

Para simplesmente viver aquilo que já é. Porque repetir também pode ser saudável. A rotina pode ser uma coisa boa. 

Há dias que são parecidos. Há ritmos que se repetem. Há pequenas rotinas que voltam. 

Agora vejo beleza nisso. Nessa repetição que acalma. Nessa previsibilidade que sustenta. Na vida que não precisa de estar sempre a acontecer para ser válida.

Não me sinto parada. Estou enraizada. E esta foi talvez a minha maior mudança nos últimos tempos.

Perceber que não estou parada. Que estou enraizada. Estou mais presente. Mais consciente do que já tenho. Menos ansiosa por aquilo que ainda não é. E isso trouxe-me conforto. Um conforto silencioso. Sem euforia. 

A tal leveza que sempre sonhei em sentir. Começo a senti-la agora. 

Talvez crescer não seja estar sempre a mudar. Talvez seja, às vezes, ficar exatamente onde estamos… e estar bem com isso. ❤

Com amor, 
Ana 

Nem tudo o que somos precisa de estar acessível ao mundo

Tenho pensado muito sobre aquilo que partilho e aquilo que não partilho. E muitas vezes já escrevi sobre "quem somos realmente quando ninguém está a ver". 

Ora, eu estou a apaixonar-me pela minha versão que ninguém vê. 


Durante muito tempo, essa linha era pouco clara para mim. Não porque não soubesse o que sentia, mas porque sentia que tudo podia ser dito. Como se a partilha fosse sempre um ato de verdade.

Hoje vejo de forma completamente diferente. Nem tudo precisa de estar visível. Nem tudo o que somos precisa de estar acessível ao mundo.

Há partes da vida que são mais silenciosas. Mais frágeis. Mais nossas. E não é por não serem importantes que não aparecem. É precisamente por o serem. 

Escolher também é cuidar. E eu comecei a perceber que escolher o que mostro é uma forma de me cuidar.

Não é criar distância. É criar espaço. Espaço para viver sem interrupção. Sem ter de transformar tudo em palavras. Sem ter de traduzir cada momento. Porque a presença não precisa de provas de nada. 

Nem tudo o que é real precisa de ser visto. Há uma presença que não se explica. Há uma vida que acontece fora das palavras. E isso não a torna menor. Torna-a mais inteira.

Tenho escolhido deixar algumas coisas fora deste espaço. Não por falta de confiança. Mas por excesso de respeito. Por mim, pelo meu tempo, pelo que ainda está a crescer. E curiosamente… nada disso não me afastou. Aproximou-me. De mim. Do que sinto. Do que quero construir. Porque nem tudo o que eu sou está aqui. E isso não diminui este espaço. Só o torna mais verdadeiro.

Com amor, 
Ana, a verdadeira

Há coisas que só precisam de ser vividas

Há partes da vida que ficam mais bonitas quando não são tocadas por muitos olhares.

Tenho vivido momentos simples. Alguns mais leves. Outros mais confusos. Outros bem profundos. E, pela primeira vez, não senti necessidade de os explicar.


 
Fiquei com eles. E isso, surpreendentemente, trouxe-me calma.

Talvez crescer seja isto também.

Nem tudo precisa de ser entendido pelos outros. Há coisas que só precisam de ser vividas. Não expostas. Não partilhadas. Só vividas. 

E, por agora, isso chega.

Com amor, 
Ana

Agora sei que partilhar não é expor tudo | Sobre crescer

Aprendi - e ainda estou a aprender - que posso ser honesta e escrever sobre tudo e mais alguma coisa sem me despir completamente. Posso escrever com alma sem entregar tudo.

Este espaço sempre foi verdadeiro. E continua a ser. Mas verdade não significa exposição total.

Há coisas que agora guardo. Não por medo. Mas por cuidado.


Porque são minhas. E porque há uma diferença muito grande entre partilhar e entregar-me por completo ao olhar dos outros. 

A ausência também faz parte. E estar mais ausente também foi uma forma de presença. Presença na minha vida. No meu corpo. Nas minhas escolhas.

Nem sempre preciso de estar aqui para estar ligada a este espaço.

Às vezes preciso de sair dele. Para poder voltar com mais verdade. E acho que isso também faz parte de crescer.

A Almofada Voadora continua a ser um lugar seguro. Mas agora é também um lugar com limites.

E esses limites não afastam. Protegem.

Vou continuar a escrever. A partilhar. A criar. Mas a partir de um lugar mais calmo. Mais consciente. Mais meu.

Por isso, se estás por aqui, obrigada. Mesmo quando não escrevo, este espaço continua vivo, porque tu estás desse lado. E eu também estou aqui.

Só que agora, com mais silêncio. E com mais intenção.

Com amor, 
Ana

Nem tudo o que é meu é para ser mostrado

Tenho estado mais ausente. E não foi por falta de coisas para dizer. Foi, talvez pela primeira vez, por aprender a não dizer tudo.

Houve um tempo em que eu sentia que precisava de partilhar para existir. Como se o que não fosse dito não fosse real. Como se o silêncio fosse vazio. Hoje já não sinto isso. Bem pelo contrário. 

Hoje percebo que há partes da vida que crescem melhor no silêncio. Que há momentos que não precisam de testemunhas. E que nem tudo o que é bonito precisa de ser mostrado.

Tenho vivido coisas minhas. Coisas simples, mas importantes. Tenho tido dias em que estou mais presente na vida real e fora das redes. Momentos em que escolho ficar comigo, em vez de correr para fora.

E isso mudou completamente a forma como escrevo.

Um sonho realizado

Era uma vez uma menina que tinha um sonho. 

Sonhava em viajar de comboio por toda a bota de Itália. Comer massa até não conseguir apertar as calças. Conhecer as catedrais. Entrar nas igrejas. Beber prosecco nas refeições. Ouvir as pessoas a falar alto como se estivessem zangadas, mas afinal são só assim. Conhecer toda a cultura italiana. A menina queria conhecer tudo.

Em 2026, essa menina começou a viagem. Essa menina sou eu. Comecei por Bergamo. Fui para lá de avião. Depois, fiz a primeira viagem de comboio até Milão. E começa aqui a minha história de amor com Itália.