2025: tenho vivido entre pó, caixas e esperas. Esperas longas, esperas cansadas, esperas que me testaram em tudo: na paciência, na calma, na maturidade, na fé. A casa que ainda não está pronta espelha a mulher que estou a tornar-me: ainda em construção, ainda a alinhar paredes internas, ainda a reparar aquilo que ignorei durante demasiado tempo. Mas, pela primeira vez, não sinto pressa. Sinto verdade.
Foto Pixabay
No meio desta loucura toda, cresci.
Cresci de formas que nem percebi na altura. Tornei-me mais adulta sem ninguém me avisar.
Aprendi a ser responsável sem me perder.
Aprendi a cuidar dos meus sem me esquecer de mim.
Aprendi a estar presente, mesmo quando a minha vida parecia ficar em pausa.
E descobri uma coisa que nunca pensei admitir: eu estava mesmo a mudar.
Não só as paredes, mas eu.
Os meus limites. A minha forma de amar.
A minha forma de pedir atenção. Ou de a esconder.
A minha forma de respirar antes de reagir.
E, sem grande barulho, tornei-me uma mulher mais inteira.
Percebi que ser adulta não é ter tudo no sítio. Ser adulta é não fugir de mim. É olhar para aquilo que sinto, mesmo quando não é bonito, e assumir: “sim, isto também sou eu.”
Ser adulta é saber o que quero, mas, acima de tudo, saber o que já não aceito.
É perceber que paz vale mais do que companhia. Que atenção não se mendiga.
Que amor não se força. Que estar sozinha não é solidão. É liberdade.
E, aos poucos, fui encontrando um equilíbrio que nunca tive.
Não o equilíbrio perfeito, daqueles dos livros.
O meu equilíbrio: meio imperfeito, meio instável, mas totalmente verdadeiro.
Um equilíbrio feito de rotinas pequenas, de escolhas conscientes, de dizer “não” sem culpa e “sim” sem medo. Um equilíbrio que me fez sentir que, finalmente, já não estou a viver em piloto automático. Estou a viver acordada. Presente. Responsável por mim.
E isso é novo. E isso é bom. É meu.
E aqui estou eu, em obras e reconstruções, mas inteira. ❤
Com cicatrizes que contam histórias, com escolhas que me fortalecem, com um coração que já sabe o que merece.
A mulher que habita em mim agora é mais consciente. Mais calma. Mais responsável. Mais livre.
Não sou perfeita. Nem quero ser. Mas sou inteira. E isso basta.
Basta para sentir orgulho de mim, para sentir paz, para sentir que finalmente estou a viver do meu jeito.
A minha vida continua em construção, como sempre esteve.
Mas, pela primeira vez, sei quem quero ser dentro dela.
E isso, mais do que paredes ou móveis, mais do que qualquer obra, é o que realmente importa.
Com amor,
A Ana crescida, dos 38 anos