2025: tenho vivido entre pó, caixas e esperas. Esperas longas, esperas cansadas, esperas que me testaram em tudo: na paciência, na calma, na maturidade, na fé. A casa que ainda não está pronta espelha a mulher que estou a tornar-me: ainda em construção, ainda a alinhar paredes internas, ainda a reparar aquilo que ignorei durante demasiado tempo. Mas, pela primeira vez, não sinto pressa. Sinto verdade.
Cresci de formas que nem percebi na altura. Tornei-me mais adulta sem ninguém me avisar.
Aprendi a ser responsável sem me perder.
Aprendi a cuidar dos meus sem me esquecer de mim.
Aprendi a estar presente, mesmo quando a minha vida parecia ficar em pausa.
E descobri uma coisa que nunca pensei admitir: eu estava mesmo a mudar.
Não só as paredes, mas eu.
Os meus limites. A minha forma de amar.
A minha forma de pedir atenção. Ou de a esconder.
A minha forma de respirar antes de reagir.
E, sem grande barulho, tornei-me uma mulher mais inteira.
Percebi que ser adulta não é ter tudo no sítio. Ser adulta é não fugir de mim. É olhar para aquilo que sinto, mesmo quando não é bonito, e assumir: “sim, isto também sou eu.”
Ser adulta é saber o que quero, mas, acima de tudo, saber o que já não aceito.
É perceber que paz vale mais do que companhia. Que atenção não se mendiga.
Que amor não se força. Que estar sozinha não é solidão. É liberdade.
E, aos poucos, fui encontrando um equilíbrio que nunca tive.
Não o equilíbrio perfeito, daqueles dos livros.
O meu equilíbrio: meio imperfeito, meio instável, mas totalmente verdadeiro.
Um equilíbrio feito de rotinas pequenas, de escolhas conscientes, de dizer “não” sem culpa e “sim” sem medo. Um equilíbrio que me fez sentir que, finalmente, já não estou a viver em piloto automático. Estou a viver acordada. Presente. Responsável por mim.
E isso é novo. E isso é bom. É meu.E aqui estou eu, em obras e reconstruções, mas inteira. ❤
Com cicatrizes que contam histórias, com escolhas que me fortalecem, com um coração que já sabe o que merece.
A mulher que habita em mim agora é mais consciente. Mais calma. Mais responsável. Mais livre.
Não sou perfeita. Nem quero ser. Mas sou inteira. E isso basta.Basta para sentir orgulho de mim, para sentir paz, para sentir que finalmente estou a viver do meu jeito.
A minha vida continua em construção, como sempre esteve.
A minha vida continua em construção, como sempre esteve.
Mas, pela primeira vez, sei quem quero ser dentro dela.
E isso, mais do que paredes ou móveis, mais do que qualquer obra, é o que realmente importa.
Com amor,
A Ana crescida, dos 38 anos

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